Câncer no intestino: entenda a doença de Luis Gustavo

Ator morreu domingo (19) em decorrência de complicações por conta de câncer no intestino

Entenda a doença de Luis Gustavo
Entenda a doença de Luis Gustavo - Crédito: Globo/Renato Rocha Miranda

por Beatryz Gaia
Publicado em 21/09/2021 às 12:00
Atualizado às 12:00

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O ator Luis Gustavo morreu neste domingo (19), aos 87 anos, em Itatiba, interior de São Paulo. O artista faleceu após passar por complicações devido a um câncer no intestino. De acordo com a família, Luis estava em tratamento contra a doença desde 2018.

O interprete do sucesso "Sai de Baixo", nosso eterno Vanderlei Mathias, mais conhecido como "Vavá", foi cremado por volta das 10h desta segunda-feira (20) e não houve velório. De acordo com as informações divulgadas pelo G1, esta foi a escolha da família para que a despedida fosse um momento particular.

Segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer), a doença no intestino que acometeu o ator - que abrange os tumores que se iniciam na parte do intestino grosso chamado cólon e no reto (final do intestino) e ânus - é o terceiro tipo mais frequente entre os homens, logo após do câncer de próstata e de pulmão, e o segundo mais incidente nas mulheres, perdendo apenas para o câncer de mama.

Causas e sintomas 

Segundo Artur Ferreira, médico oncologista do CPO/Oncoclínicas, a maioria desses tumores surgem por meio da transformação maligna das células que revestem esses órgãos.

"Como grupo, possuem inúmeras causas, entre as quais se destacam sobrepeso e obesidade, sedentarismo, tabagismo e etilismo, alto consumo de carne vermelha e carne processada, baixa ingestão de fibras e vegetais, diabetes e infecções como hepatites B e C, infecção pelo Helicobarter Pylori e infecção pelo Papilomavírus Humano, o HPV", explica.

Além disso, de acordo com Renata D’Alpino, líder da especialidade de tumores gastrointestinais, sangue nas fezes pode ser um indício inicial de que algo não vai bem na saúde. "Muitas pessoas costumam creditar essa ocorrência a outras causas convencionais, como hemorroidas, e acabam postergando a busca por aconselhamento médico e a realização de exames específicos. Isso faz com que muitas pessoas só descubram o câncer em estágios avançados", clarifica.

A médica afirma que muitas vezes o tumor só é descoberto tardiamente, diante de sintomas mais severos, como anemia, constipação ou diarreia sem causas aparentes, fraqueza, gases e cólicas abdominais, ou até mesmo emagrecimento.

Diagnóstico e prevenção

A principal forma de prevenção e diagnostico é através do exame de colonoscopia, feito com um tubo flexível com uma câmera na ponta onde é introduzido no intestino e faz imagens que revelam se há presença de possíveis alterações, permitindo até mesmo a remoção de pólipos e biópsias de lesões suspeitas.

No Brasil, o Ministério da Saúde recomenda iniciar o rastreio do câncer de cólon e reto da população adulta de risco habitual na faixa etária de 50 anos - mas muitos países já reduziram para 45 anos.

Tratamento

Tudo depende do tipo, da localização do tumor e também da forma como ele está apresentado, localizado ou disseminado. Porém, no geral, a abordagem pode incluir cirurgia, quimioterapia (combinada ou não à radioterapia), terapias com drogas alvo-moleculares e imunoterapia.

Segundo Artur, são doenças potencialmente curáveis quando diagnosticadas em sua fase inicial. "E praticamente incuráveis quando se apresentam disseminadas pelo organismo, em metástases", complementa.

Por isso, é importante o rastreamento precoce para que o diagnóstico pegue o tumor em sua fase inicial e a chance de cura seja maior.

Fontes: Artur Ferreira, médico oncologista do CPO/Oncoclínicas; Heber Salvador de Castro Ribeiro, cirurgião oncológico e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica; Renata D’Alpino, oncologista e líder da especialidade de tumores gastrointestinais e neuroendócrinos do Grupo Oncoclínicas.

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