Infectologista sobre onda de Covid: "aprender a lidar com a circulação contínua do vírus”

Casos cada vez mais frequentes de reinfecção pelo coronavírus mostram permanência do vírus em nossas vidas

“Precisamos aprender a lidar com a circulação contínua do vírus”: infectologista explica a reinfecção pelo coronavírus
“Precisamos aprender a lidar com a circulação contínua do vírus”: infectologista explica a reinfecção pelo coronavírus - Shutterstock

por Milena Vogado
Publicado em 14/06/2022 às 13:00
Atualizado às 13:00

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Ainda no primeiro ano de pandemia foram registrados os primeiros casos de reinfecção pelo coronavírus, algo que era apenas uma possibilidade no início de 2020 e se tornou uma realidade cotidiana. 

O médico infectologista Dr. Bernardo Almeida, mestre em doenças infecciosas pela UFPR (Universidade Federal do Paraná), explica que a proteção gerada por uma infecção não é completa, portanto há sempre a chance de reinfecção. “Essa chance é crescente ao longo do tempo, visto que a imunidade cai progressivamente. A entrada de novas variantes acelera o processo”, declara.

As vacinas podem impedir as reinfecções?

As vacinas que temos hoje não impedem sozinhas a contaminação, mas são eficientes na prevenção das complicações da infecção, como hospitalizações e óbitos. De acordo com o Dr. Bernardo, essa eficácia é resiliente ao longo do tempo. "Mesmo com o aumento nas chances de reinfecção, a chance de hospitalização e óbito é reduzida significativamente com a vacinação”, esclarece.

Segundo o infectologista, indivíduos que não tomaram a vacina ou não possuem o esquema vacinal completo possuem maior chance de reinfecção pelo coronavírus, apesar da infecção prévia isoladamente também conferir proteção.

Como evitar a reinfecção pelo coronavírus?

O médico expõe que o afrouxamento dos protocolos de segurança contribui para o surgimento de reinfecções, já que “a elevação no número de interações e o não uso de máscaras está atrelado a aumento da transmissibilidade”.

De acordo com o infectologista, algumas formas de se evitar a reinfecção são:

  • Estar em dia com a vacinação contra a Covid-19
  • Evitar o contato com indivíduos com infecção (ou suspeita). 
  • Utilizar máscaras eficientes (cirúrgicas, PFF2 ou superior), principalmente por indivíduos vulneráveis (idosos, gestantes, portadores de comorbidades), especialmente em situações de alto risco como ambientes fechados, pouco ventilados e com muitas pessoas.

O Dr. Bernardo afirma ainda que não é possível prever quantas vezes um indivíduo pode ser infectado pelo coronavírus, já que a queda da imunidade é algo contínuo, assim como o surgimento de novas variantes. “A tendência é que a Covid-19 se transforme em algo como o influenza, que é possível contrair várias vezes”, complementa.

A permanência do vírus

“Precisamos aprender a lidar com a circulação contínua do vírus, como se faz com os outros vírus”, destaca o infectologista. “Como ainda há repercussões significativas, eventualmente poderá ser necessária a reintrodução de medidas de prevenção em períodos de picos. Espera-se que, com a queda da gravidade dos casos, cheguemos ao ponto de que tais medidas sejam cada vez menos necessárias”, finaliza.

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