Conheça o ECMO, aparelho usado por Paulo Gustavo

O ator foi submetido à técnica para tratar complicações impostas pela Covid-19

Paulo Gustavo foi submetido ao Ecmo; conheça a técnica
Paulo Gustavo foi submetido ao Ecmo; conheça a técnica - Crédito: TV Globo/Divulgação

por Juliana Mesquita
Publicado em 07/04/2021 às 12:03
Atualizado às 12:03

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Internado desde o dia 13 de março em um hospital do Rio de Janeiro devido a complicações da Covid-19, o ator Paulo Gustavo teve que ser transferido para a UTI no dia 21. 

No entanto, no dia 2 de abril, ele precisou ser submetido  ao ECMO, após apresentar piora no quadro. 

O ECMO (sistema de oxigenação extracorpórea através da membrana) funciona como um pulmão e um coração artificial ao paciente que, por algum motivo, teve suas funções comprometidas.

A técnica pode ser utilizada desde recém-nascidos a idosos, porém é muito mais complexa do que o ventilador mecânico, que apenas auxilia o pulmão em seu funcionamento, mas não o substitui. 

Quando o ECMO é utilizada?

O sistema pode ser empregado em dois casos: quando o paciente sofre comprometimento severo do sistema circulatório (cardiovascular) ou comprometimento do sistema respiratório. 

“É utilizada quando há falência respiratória apesar das medidas máximas de suporte disponíveis. Ou seja, depois de o paciente ter sido entubado, ventilado com respirador artificial e, mesmo assim, permanecer com níveis de oxigenação muito baixos”, explica João Galantier, médico assistente da UTI adulto do HCor e especialista em ECMO. 

Como funciona?

O ECMO assume a função de fazer (de forma artificial) a circulação e oxigenação do sangue através de uma máquina conectada ao paciente por meio de cateteres. 

“Esse sistema funciona através da canulação dos vasos do paciente, desvio do sangue do paciente para uma membrana que oxigena esse sangue, e depois devolve o sangue oxigenado ao paciente”, destaca o especialista. 

A máquina permite uma sobrevida ao paciente, uma vez que ganha tempo para que o corpo se recupere do problema, seja ele pulmonar ou circulatório. 

Riscos

Quando a técnica é empregada, significa que o paciente se encontra em um quadro gravíssimo, por isso, mesmo com o auxílio do equipamento, não há garantia de melhora do quadro.

“Além da gravidade extrema desses pacientes (normalmente expectativa de mortalidade de até 80%), existem riscos relacionados ao funcionamento do sistema, que são: problemas de sangramento no local da canulação; sangramento em sistema nervoso central e outros sangramentos como trato digestivo, uma vez que há necessidade de anticoagulação plena durante a sua utilização; complicações infecciosas no local da canulação; e reação do sangue em contato com a superfície interna do sistema”, lista João Galantier.

Contraindicações

O aparelho não deve ser utilizado em pacientes que: 

*Apresente impossibilidade de anticoagulação;

*Falta de calibre adequado dos vasos para canulação; 

*Sem expectativa de vida (doença terminal ou lesões de órgãos irreversíveis);

*Tempo de ventilação mecânica muito elevado (maior que 10 dias): sugere que não haverá recuperação pulmonar. 

O ECMO e a Covid 

O aparelho tem sido utilizado em alguns casos de complicações causadas pela Covid-19, porém seu uso ainda é restrito tanto na rede pública quanto privada. 

“Esse dispositivo tem sido utilizado com uma frequência maior nos pacientes com evolução desfavorável de complicações da Covid, sobretudo quando verificamos a diminuição da faixa etária desses pacientes. Contudo, não podemos dizer que é de utilização comum”, ressalta o especialista.

No SUS, o aparelho pode ser empregado em cirurgias cardíacas, mas está presente em poucos centros especializados, como Instituto do Coração e do Câncer. 

Em uma entrevista à CNN, a médica cardiologista Ludhmila Hajjar, que foi cotada para o Ministério da Saúde, afirmou que em 2015 a Comissão Nacional de Incorporação de Novas Tecnologias no SUS (Conitec) barrou o uso do aparelho para tratamentos de doenças respiratórias. 

A justificativa é que, além do custo elevado da máquina (cerca de 30 mil/diária), ainda é necessário que haja estrutura hospitalar e equipe qualificada para manipular o equipamento. 

A mesma justificativa também se aplica à rede privada, já que a maioria dos planos de saúde não cobre os gastos desse tratamento em específico. 

Consultoria: João Galantier, médico assistente da UTI adulto do HCor e especialista em ECMO