DIU: tire suas dúvidas sobre esse método contraceptivo

Ginecologista diz que "decisão de utilizar o dispositivo intrauterino no corpo deve ser única e exclusivamente das mulheres"

"Há o DIU hormonal  e o não hormonal e especialista esclarece as dúvidas sobre esses dois tipos"
"Há o DIU hormonal  e o não hormonal e especialista esclarece as dúvidas sobre esses dois tipos" - Shutterstock

por Julia Natulini
Publicado em 06/08/2021 às 14:33
Atualizado às 15:40

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Recentemente, o jornal Folha de S.Paulopublicou que planos de saúde dos estados de  Minas Gerais e São Paulo, têm exigido o consentimento de maridos para autorizarem o procedimento para colocar o DIU (dispositivo intrauterino) em mulheres casadas. 

Segundo a Dra. Paula Fettback, ginecologista e obstetra, a decisão de utilizar o DIU no corpo deve ser única e exclusivamente das mulheres. Trata-se de um método contraceptivo de barreira que possui duas principais variações, com ou sem a presença de hormônios. 

“Ele é recomendado principalmente, quando o uso dos anticoncepcionais hormonais são contraindicados,  por conta da ação do estrogênio que pode aumentar o risco de trombose quando há predisposição. Esse tipo de dispositivo, possui uma boa alternativa para evitar gravidez, além da eficácia de até 99% de proteção, ou seja, apenas 1% de chance de falha”.

O hormônio associado ao DIU é uma alternativa quando a mulher possui fluxo intenso e cólica e não se adapta às pílulas anticoncepcionais. Nestes casos, há a opção do método físico (DIU) ou a liberação periódica de hormônio. Independentemente da escolha, atualmente o tempo médio de uso do dispositivo é de cinco anos, explica a ginecologista.  

Como é feita a introdução do DIU?
A ginecologista explica que ele pode ser colocado em consultório ambulatorial ou sob sedação em ambiente hospitalar, de acordo com o perfil da paciente em relação à tolerância à dor e idade, já que as mulheres mais jovens costumam ter o canal do colo do útero mais fechado.

Quando feito em consultório, o procedimento costuma ser realizado durante o período menstrual, pois é quando o canal do colo útero está mais aberto e há mais facilidade para a inserção e menos desconforto.

Quais são os tipos de DIU que existem?
Qualquer mulher pode colocar o DIU, desde que saiba qual a melhor indicação para seu caso. Há o DIU hormonal  e o não hormonal. Os hormonais costumam ser indicados para mulheres que não querem ou precisam não menstruar, como aquelas com endometriose ou adenomiose.

Já os não hormonais, são indicados para mulheres que não desejam utilizar nenhum tipo de hormônio, nesta opção, o fluxo menstrual e as cólicas podem aumentar um pouco. As contraindicações, geralmente são para casos de mal formações uterinas, efeitos colaterais devido ao hormônio presente no DIU, ou de mulheres que não toleram esse método contracepctivo devido às cólicas e aumento do sangramento, sendo raros os casos que apresentam estes quadros.

A médica alerta ainda que o DIU não é um método que leva à esterilidade secundária, como a laqueadura ou a vasectomia, ele é um método contraceptivo de barreira e é reversível. A partir do momento em que a mulher tirar o DIU, ela pode engravidar. A escolha do método contraceptivo é um direito da mulher e não necessita de autorização do parceiro.

Em matéria publicada no jornal O Globo, o Procon de São Paulo notificou onze operadoras de planos de saúde e solicitou explicações sobre a obrigatoriedade das mulheres terem de pedir permissão aos maridos para colocar o DIU.

“No comunicado da Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor, foi estabelecido um prazo de até 72 horas para que essas empresas esclareçam as condições e exigências que impõem aos beneficiários quando eles buscam métodos contraceptivos reversíveis e procedimentos definitivos”. 

Consultoria: Paula Fettback, ginecologista e obstetra e doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).  
Fontes: (Com informações do jornal Folha de S. Paulo e jornal O Globo). 

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