Alzheimer: causas e sintomas

Saiba como a doença atua e como identificar os sinais

A doença de Alzheimer é caracterizada pela perda de memória ao longo do tempo
A doença de Alzheimer é caracterizada pela perda de memória ao longo do tempo - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 04/06/2021 às 08:00
Atualizado às 08:00

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Segundo a Alzheimer's Association, no Brasil mais de 1 milhão de pessoas convivem com algum tipo de demência. A Organização Mundial da Saúde estima que no mundo são cerca de 50 milhões e que destes, 70% são diagnosticados com a doença de Alzheimer. Apesar dos números alarmantes, há muitos esclarecimentos que precisam ser feitos sobre a doença. 

É definido como uma doença neurodegenerativa, ou seja, leva a um progressivo declínio cognitivo com o passar do tempo. Nas fases finais, inclusive, o paciente não se lembra de grande parte dos acontecimentos da sua vida – a perda de memória é o sintoma mais característico da enfermidade.

“A evolução clínica pode variar dependendo do caso, mas, de modo geral, temos uma patologia lentamente progressiva, que evolui em anos e que leva a progressiva deterioração cognitiva, comportamental e, nos estágios finais, motora”, explica o neurologista Leandro Teles.

Ainda segundo o profissional, a doença pode ser dividida em estágios, dependendo da condição do paciente e dos sinais que ele apresenta. Os sintomas geralmente seguem a seguinte sequência:

Estágio leve

A pessoa tem dificuldade progressiva de fixar novas memórias. O paciente lembra bem do passado, mas apresenta evidente dificuldade em memorizar coisas mais atuais, do dia a dia. “Ele fica esquecido, repetitivo, deixa de cumprir compromissos... Aos poucos, vai perdendo sua segurança e independência”, afirma Leandro. 

Estágio moderado

Além do esquecimento, o paciente passa a se mostrar desorientado no tempo e no espaço. Pode se perder em lugares conhecidos, ter dificuldade de reconhecer rostos familiares e mostra-se cada vez mais confuso e menos confiável. Podem surgir alterações comportamentais, como apatia ou agressividade, perda progressiva de autonomia, dificuldades de cálculo e linguagem, além de comprometimento de memórias antigas, já consolidadas. 

Estágio avançado

Nessa fase, o paciente se mostra ainda mais desorganizado, o esquecimento pode ser muito intenso, dificultando até pequenos diálogos. “Ele fica bastante aéreo, interage pouco com o ambiente, pode ter franca dificuldade em reconhecer familiares e apresenta um discurso pobre e confuso. Com a progressão, surgem sintomas motores como engasgos, perda de equilíbrio, e problemas de coordenação e de força muscular”, acrescenta o neurologista. O paciente evolui para franca deterioração neurológica global, ficando restrito a cadeira de rodas e posteriormente, à cama, em posição que lembra a posição fetal.

Causas 

Embora o ambiente externo influencie em seu surgimento, o quadro depende, principalmente, de uma carga genética. “Quase sempre o que ocorre é uma predisposição genética, herdada por vários genes, que se manifesta a depender de fatores ambientais, como a longevidade, a escolaridade, as patologias clínicas e outros fatores ainda não completamente elucidados”, destaca Leandro.

Segundo o especialista, para algumas famílias o fator genético pode se tornar evidente e atingir pessoas mais jovens. “Por isso, de modo geral, não falamos de determinismo genético, mas sim de predisposição, e isso serve para a grande maioria dos casos típicos, que ocorre de forma lentamente progressiva e após os 65 anos”, completa o especialista. 

Cuidados necessários

A doença ainda não tem cura e até hoje não se sabe como evitá-la ou como interromper sua progressão, porém alguns fatores podem influenciar no desenvolvimento do problema. “Cérebros mais saudáveis estão naturalmente mais protegidos, tendo uma evolução mais lenta e sintomas graves tardios. Por isso, cuidar do cérebro no decorrer da vida é uma sábia conduta protetiva, mantendo-se sempre ativo intelectualmente, além de evitar e tratar doenças que lesam o cérebro”, esclarece Leandro.

Consultoria: Leandro Teles, neurologista