Canela pode auxiliar no controle do diabetes tipo 2

Estudo promovido por brasileiros aponta que a especiaria pode se tornar um aliado do tratamento da doença

Canela pode auxiliar no controle do diabetes tipo 2
Canela pode auxiliar no controle do diabetes tipo 2 - Shutterstock

por Juliana Mesquita
Publicado em 16/03/2021 às 13:52
Atualizado às 13:52

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Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) em parceria com outras instituições brasileiras, mostrou que a canela pode ser um agente adicional ao tratamento do diabetes tipo 2 - doença geralmente relacionada ao mau aproveitamento da insulina pelo organismo, o que altera os níveis de glicemia no sangue. O artigo foi publicado no “Journal of the American College of Nutrition”. 

“Sabendo das dificuldades que os pacientes com diabetes têm no dia a dia, no controle da glicemia, na compra de medicamentos, e na mudança da dieta, queria algo que fosse possível de ser aplicado por aqueles que convivem com a doença”, explica José Claudio Lira, porta-voz do estudo. 

Para provar a tese, os pesquisadores acompanharam durante três meses 140 pacientes com diabetes tipo 2, distribuídos em cinco Unidades Básicas de Saúde (UBS) na cidade de Parnaíba, no estado do Piauí. 

Os critérios para participar do estudo incluíam ser diagnosticado com diabetes tipo 2, idade entre 18 e 80 anos, ambos os sexos, com a taxa de hemoglobina glicada (HBa1c) maior do que 6%, e o uso oral de medicamentos para o controle do diabetes. 

Os participantes foram divididos em dois grupos: um que deveria ingerir a canela e outro, o placebo. Todos os pacientes foram instruídos a tomar quatro cápsulas por dia - duas antes do café da manhã e duas antes do almoço. Para o grupo que ingeriu canela, pode-se traduzir a 3g do alimento por dia. Todos os participantes foram instruídos a continuar com medicação prescrita para o tratamento do diabetes. 

Canela, um auxílio no controle da glicemia 

Após três meses do experimento e a repetição dos exames, pacientes que fizeram o uso da canela tiveram uma redução de 0,21% na taxa de HBa1c (índice que mostra a média da glicose sanguínea dos últimos três meses), enquanto o grupo placebo teve um aumento de 0,38% no mesmo indicador. 

O grupo experimental ainda apresentou diminuição nos níveis de glicemia em jejum - cerca de 10 mg/dl enquanto o placebo mostrou alta, em média, de 20 mg/dl. 

Além disso, o estudo também calculou o índice de HOMA-IR, que determina a resistência à insulina. Os pacientes com diabetes tipo 2 já apresentam o problema, que tende a piorar com o tempo. No grupo que ingeriu a especiaria, houve uma diminuição média de 0,47% nesse indicador, enquanto o grupo placebo apresentou uma elevação média de 0,30%. 

“O grupo experimental também conseguiu reduzir o peso e o índice de massa corpórea. Ademais, quase nenhum participante da pesquisa apresentou efeitos colaterais importantes/graves. Assim, acreditamos que, a longo prazo, os pacientes possam ter um melhor gerenciamento dos níveis glicêmicos”, destaca Lira. 

O pesquisador ainda ressalta que o estudo apenas oferece “uma possibilidade para que o paciente com diabetes tipo 2 possa utilizar no seu regime terapêutico''. Reforçamos as orientações de que a adição de canela não trará, isoladamente, a garantia de bons resultados ao tratamento do diabetes e, portanto, é preciso que o paciente faça uso das medicações e mantenha um estilo de vida saudável, com auxílio de uma equipe multidisciplinar”. 

Lira quer dar continuidade na investigação de produtos naturais, que possam auxiliar no tratamento do diabetes e expandir os ensaios para outras regiões do país. “Além disso, já estamos desenvolvendo um estudo do custo-efetividade do produto, para entendermos e termos em mãos evidências de que a canela é uma ferramenta que pode ser disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde, de modo gratuito”, finaliza. 

O estudo foi desenvolvido pelo Dr. José Claudio Lira, e orientado pela Profa. Dra. Marta Damasceno, do Programa de Pós-Graduação em Enfermagem da Universidade Federal do Ceará, e financiado pelo CNPq.