Osteoporose tem cura?

A doença geralmente se manifesta na terceira idade e está mais presente entre as mulheres

Osteoporose é uma doença silenciosa que pode levar a fraturas
Osteoporose é uma doença silenciosa que pode levar a fraturas - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 06/04/2021 às 15:14
Atualizado às 15:14

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Muito se ouve falar sobre a osteoporose, a fragilidade que ela causa nos ossos e os inúmeros malefícios que podem ocorrer ao organismo caso a doença não seja diagnosticada e tratada corretamente.

“A osteoporose é uma doença silenciosa, não tem sintomas e não dói. Uma de suas consequências é a fratura vertebral sem trauma, espontânea, silenciosa, que encurta a coluna da mulher, levando-a a ficar com menos altura. Outra são as fraturas de colo de fêmur, levando a mulher à cama e, por este motivo (o repouso, não a fratura), acabando por aumentar o índice de mortalidade feminina”, explica o ginecologista Sérgio dos Passos Ramos.

Embora comumente manifestada nas mulheres, a osteoporose também pode acometer a população masculina, sendo mais comum o seu aparecimento após os 65 anos. A perda da densidade óssea que caracteriza o distúrbio dá-se por conta da diminuição de um hormônio feminino chamado estrógeno, que também está presente no organismo masculino - porém, em menor quantidade. 

Ele é o responsável por manter os ossos estáveis, por meio da conservação do cálcio - mineral essencial para a formação óssea. Logo, com a estrutura óssea prejudicada, aumenta o risco da obtenção de fraturas, que podem se tornar frequentes.

Hábitos que previnem

Durante a vida, é preciso criar uma “reserva” de densidade óssea, ou seja, consumir alimentos que possuem uma grande quantidade de cálcio para que a estrutura fique fortificada. Quando a idade torna-se avançada, os ossos consequentemente tornam-se mais frágeis, pois, embora eles se pareçam com algo forte e indestrutível, também sofrem mudanças ao longo da vida. 

Para manter-se saudáveis, os ossos passam por uma absorção de cálcio, recriando-se a fim de ficarem mais resistentes e saudáveis. Este processo acontece, normalmente, até os 35 anos de idade.

 “O melhor período para prevenir a doença é na infância e na adolescência, quando as crianças precisam de leite e exercício. Veja que cada vez mais nossos adolescentes estão substituindo o leite por produtos similares que não têm tanto cálcio. Durante toda a vida da mulher, é importante continuar com o exercício, mesmo o mais leve, como caminhar. Sol em pequenas quantidades nos horários da manhã e, novamente, cálcio. É mais indicado leite desnatado para evitar o colesterol, mas continuar tomando leite”, completa Ramos. 

Por isso, para evitar que os ossos possam se tornar quebradiços ou frágeis, é importante atentar-se aos métodos de prevenção, em todas as fases da vida. Com uma boa alimentação e a prática de atividades físicas regulares, é possível afastar o problema e deixar as estruturas ósseas muito mais saudáveis e fortes, para que a perda de densidade óssea que consequentemente virá com a idade não influencie diretamente na qualidade de vida do idoso.

Doença assintomática

A osteoporose não apresenta sintomas, portanto, se os exames necessários para a obtenção do diagnóstico não forem realizados, é possível que fraturas possam servir de aviso de que o quadro já está desenvolvido. 

Dentre os sintomas envolvidos no desencadeamento da doença estão: fraturas na coluna, no fêmur e nos punhos, por exemplo. Além disso, outros sinais podem indicar que a osteoporose está avançada no organismo, como dores na região lombar e no pescoço (por conta de possíveis fraturas), sensibilidade e dor nos ossos e uma perceptível diminuição de estatura. 

“O diagnóstico hoje é feito com um exame chamado densitometria óssea que toda mulher com idade acima de 65 anos deveria fazer. Em mulheres com menopausa precoce ou história de osteoporose na família ou que cogitem usar a terapia hormonal para a menopausa, este exame também deve ser realizado mesmo antes desta idade”, esclarece o ginecologista.

Elas sofrem mais

Após o período da menopausa, a chance de que as mulheres desenvolvam a doença é fortemente aumentada. Por isso, quando inicia-se a pré-menopausa, já é aconselhável que elas procurem um médico e façam exames, a fim de diminuir as chances de desenvolvimento da doença por meio de ações preventivas. 

Nos homens, estudos apontam que a osteoporose atinge aqueles que possuem idade superior a 65 anos. Além da faixa etária, outros hábitos acumulados durante a vida contribuem para o desenvolvimento do distúrbio. O consumo em demasia de bebidas alcoólicas e café, sedentarismo, tabagismo, peso muito abaixo do ideal e até mesmo a somatória de outras doenças, tais como diabetes, hipotireoidismo e distúrbios gastrointestinais, por exemplo, são fatores que também podem influenciar fortemente no aparecimento da osteoporose.

No consultório

Conversar com o médico sobre a prevenção da doença é algo que deve ser feito por todos, uma vez que a doença ainda não tem cura. 

 Garantir a qualidade de vida quando a idade estiver mais avançada é uma atitude muito importante que deve ser adotada, já que este período conta com a diminuição do ritmo das atividades corporais. 

Portanto, conviver com fraturas frequentes e as fortes dores resultantes delas é uma péssima ideia. Nem sempre são causados traumas sérios nos ossos das pessoas que têm a doença, porém, uma simples rachadura já pode desencadear um grande e agudo incômodo no local.

Fazendo uma avaliação médica, o profissional poderá avaliar o quadro com total segurança, solicitando os exames necessários para o diagnóstico e se atentando a detalhes que cercam a vida do pacientes, tais como a forma de se alimentar, se o cigarro está ou esteve presente em sua vida, a frequência com a qual as atividades físicas foram praticadas, além de inúmeras outras questões.

Após responder a estas perguntas, será possível fazer uma avaliação completa e solicitar os demais exames necessários para identificação do distúrbio, além da indicação das atividades preventivas que precisam ser tomadas por todos.

Consultoria: Sérgio dos Passos Ramos, ginecologista