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Período menstrual: como as cólicas podem afetar a produtividade das mulheres

Pesquisa mostra que mulheres podem perder até nove dias de produtividade ao ano por conta dos sintomas do período menstrual

Pesquisa mostra que mulheres podem perder até nove dias de produtividade ao ano por conta dos sintomas do período menstrual
Período menstrual: entenda como as cólicas afetam a produtividade das mulheres - Shutterstock
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Está cada vez mais claro, do ponto de vista científico, que as dores do período menstrual podem causar a perda de produtividade nas mulheres. Estima-se que os sintomas menstruais sejam responsáveis por quase nove dias de produtividade perdida no ano, seja no trabalho ou nos estudos. Além das cólicas, outros fatores afetam a disposição e o rendimento, como fluxo de sangue muito intenso e oscilações de humor.

De acordo com um estudo publicado na revista médica BMJ Journals em 2019, apenas 14% das mulheres entrevistadas já haviam se ausentado de compromissos por conta do período menstrual. Entretanto, cerca de 81% declarou ser menos produtiva devido aos sintomas.

A pesquisa também apontou que, anualmente, as mulheres se ausentam de suas atividades por 1,3 dia ao ano por consequência do período menstrual. Contudo, a produtividade perdida equivale a 8,9 dias, já que elas não conseguem desenvolver as atividades normalmente graças aos sintomas.

Tabu

Embora alguns países no mundo já tenham instituído a chamada Licença Menstrual (licença remunerada durante o período menstrual), esse assunto ainda é um tabu. Muitas mulheres se sentem desconfortáveis de revelar seu incômodo a seus superiores e, por isso, acabam trabalhando ou frequentando as aulas com dores.

Também é comum a mulher se ausentar sem explicar o real motivo, como apontou a pesquisa publicada na BMJ Journals. De acordo com o estudo, somente 20% das entrevistadas que se ausentaram do trabalho por conta do período menstrual revelaram a verdadeira causa aos seus empregadores.

Esse sentimento de ser obrigada a trabalhar ou estudar mesmo com dores também diminui a produtividade das mulheres, atrapalhando mais do que a ausência poderia atrapalhar. “É necessário aumentar a discussão e a conscientização sobre o impacto dos sintomas menstruais no trabalho, e as organizações devem estar abertas a isso”, defende Patrick Bellelis, ginecologista especialista em endometriose.

O médico aponta que ainda é desconfortável para as mulheres falar sobre o tema. “Trata-se de saúde e precisamos tornar essa discussão mais humanizada”, destaca.

Endometriose

Bellelis afirma que não abordar os desconfortos do período menstrual no trabalho, na escola ou na universidade pode ser perigoso. Isso porque desencoraja a investigação destes sintomas, que podem ser consequência de problemas mais complexos, como a endometriose, por exemplo. “O acompanhamento médico é fundamental para que a mulher tenha acesso ao tratamento necessário, o que pode devolver sua qualidade de vida”, acrescenta o médico.

O especialista revela que embora dor e desconforto leves possam ser comuns no período menstrual, é preciso perceber se ocorrem de forma aguda, afetando as atividades cotidianas. “Quanto antes a mulher, em idade adulta ou adolescente, procurar um diagnóstico, mais rápido poderá ter uma rotina mais confortável. A dor moderada a grave, por si só, não significa necessariamente que ela tenha endometriose, mas é provável que algo possa ser feito para reduzir o impacto dessas dores sobre a sua rotina”, alerta Bellelis.

A endometriose acontece quando células do endométrio, a camada interna do útero que é expelida na menstruação, acabam se depositando fora da cavidade uterina, causando reações inflamatórias e lesões. É comum que essas células se acumulem nos ovários, na cavidade abdominal, na região da bexiga, nos intestinos e outros locais. Em acúmulo, podem formar nódulos que afetam o funcionamento de órgãos do corpo.

Sem tratamento, a doença pode atingir formas graves, como a chamada endometriose profunda, caracterizada por sintomas mais severos que deixam a paciente incapacitada para uma rotina normal. De acordo com a Associação Brasileira de Endometriose, 10% a 15% de mulheres em idade reprodutiva (13 a 45 anos) têm a doença.

Fonte: Patrick Bellelis, ginecologista especialista em endometriose.

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