Saúde mental e maternidade: como equilibrar as cobranças de ser mãe

Tentar ser uma mãe perfeita pode ser frustrante, o que muitas vezes gera ansiedade e depressão. Entenda a importância da saúde mental na maternidade

Saiba como equilibrar as cobranças de ser mãe
Saiba como equilibrar as cobranças de ser mãe - Shutterstock

por Milena Vogado
Publicado em 08/05/2022 às 08:00
Atualizado às 08:00

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O que é a “mãe perfeita” para você? O perfil de mulher dedicada, vaidosa e sempre disponível para os filhos e a família costuma ser o mais cobrado. Porém, trata-se de um mito sobre a maternidade ideal que parece beneficiar a todos, exceto a própria mãe. 

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 20% das mães em todo o mundo apresentaram algum transtorno mental, em sua maioria a depressão. No Brasil, uma em cada quatro mulheres apresenta sintomas de depressão no período de 6 a 18 meses após o nascimento do bebê, segundo estudo realizado pela Fiocruz.

A psiquiatra Dra. Lívia Castelo Branco aponta que o Dia das Mães é uma oportunidade para refletir sobre as expectativas que temos da “maternidade perfeita”. É também uma chance de pensar como essas mulheres podem equilibrar a vida familiar, profissional e financeira sem negligenciar a saúde mental.

“Existe um ideal na nossa sociedade da mãe perfeita, que está sempre disponível para todas as demandas dos filhos, tanto afetivas quanto de saúde, lazer e educação. Já no ambiente de trabalho é cobrado o mesmo foco e dedicação de quando não se tinha filhos, o que na maioria das vezes é impossível.  Além disso, o impacto da estética e positividade nas redes sociais faz com que muitas mulheres se sintam cobradas a ter o corpo perfeito e estarem sempre alegres. A tentativa de equilibrar as áreas mãe-profissional-mulher de forma impecável provoca frustração”, comenta a psiquiatra.

Alertas do esgotamento emocional

Em contextos em que o pai não participa ativamente do cuidado às demandas dos filhos, não há uma rede de apoio presente e a mãe é atingida por vulnerabilidade genética e transtornos mentais, o risco de desenvolvimento de depressão ou ansiedade é muito alto, explica a Dra. Lívia. A psiquiatra conta ainda que, muitas vezes, os sintomas são confundidos com cansaço, desânimo e até falta de “vocação para a maternidade”.

Há alguns alertas comuns no decorrer da vida, mas que merecem atenção quando passam a prejudicar a convivência com os familiares ou o rendimento no trabalho, por exemplo. São eles:

  • Cansaço;
  • Falta de ânimo;
  • Nervosismo;
  • Preocupações exageradas;
  • Alterações do sono;
  • Dificuldade na resolução de problemas;
  • Redução da capacidade de concentração;
  • Variações de humor.

A importância da rede de apoio

É bastante comum relacionar maternidade a sobrecarga. A Dra. Lívia alerta que parte dos cuidados, desde à gravidez até ao longo da vida materna, passa necessariamente pelo compartilhamento de responsabilidades para conseguir algo fundamental: tempo para si.

“Para cuidar da saúde mental é preciso delegar tarefas, compartilhar responsabilidades com o pai e outros parentes, tomar um tempo para si, manter atividades de lazer e pedir ajuda quando necessário são fundamentais. Além disso, buscar manter hábitos saudáveis de vida, tais como alimentação regular e atividade física é importante. Friso o “buscar”, pois sabemos que em muitos contextos as mães têm dificuldade de incluir isso na rotina ou não contam com o apoio paterno ou familiar”, considera a psiquiatra.

De acordo com a especialista, muitas mulheres enfrentam quadros depressivos durante a gestação, mas resistem ao uso de medicamentos, temendo afetar o bebê. O pós-parto, porém, é um momento muito delicado, porque há um alto risco para o desenvolvimento de transtornos. Ela lembra ainda que se for o caso, existem medicações autorizadas na gestação e na lactação.

A relação entre mãe e filho no início da vida é fundamental para o desenvolvimento do indivíduo, como lembra Lívia Castelo Branco. Nesse contexto, não se pode ignorar que a saúde mental da mãe é imprescindível para a garantia de um contato e cuidado saudáveis. Por isso, “o acompanhamento médico e apoio da família são fundamentais na tomada da decisão mais assertiva para o melhor da mãe e do bebê”, finaliza a psiquiatra.

Fontes: psiquiatra Dra. Lívia Castelo Branco, OMS e Fiocruz.

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