Vacina contra HPV: onde tomar o imunizante que reduz casos de câncer em até 87%

Estudo inglês indica queda abrupta do número de tumores no colo do útero em pessoas vacinadas

Vacina contra HPV é importante aliada no combate ao câncer do colo do útero
Vacina contra HPV é importante aliada no combate ao câncer do colo do útero - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 28/11/2021 às 12:00
Atualizado às 12:00

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A vacina contra o HPV – infecção sexualmente transmissível, que pode causar o aparecimento de tumores – demonstrou ser uma grande aliada no combate ao câncer do colo do útero. É o que indica um estudo inglês, publicado pela revista científica The Lancet. Segundo a publicação, as chances de uma pessoa imunizada desenvolver a doença cancerígena é 87% menor quando comparamos com pessoas que não foram vacinadas.

A pesquisa analisou, de 2008 para cá, três grupos diferentes de meninas que receberam a vacina contra o HPV na Inglaterra. O primeiro, que inicialmente correspondia à faixa etária de 12 e 13 anos, apresentou redução de 87% dos casos de câncer do colo do útero e queda de 97% das lesões com potencial cancerígeno. O segundo grupo, que recebeu o imunizante entre os 14 e 16 anos de idade, teve uma diminuição de 62% nos casos de câncer e de 75% das lesões. Já no terceiro, com adolescentes de 16 a 18 anos, foi detectada uma queda de 34% do tumor e de 39% das lesões.

Quem pode e onde tomar a vacina contra o HPV

Ou seja, quanto antes o imunizante for aplicado, menor será a chance de desenvolver câncer do colo do útero na fase adulta. Porém, quem pode tomar a vacina contra o HPV e onde essas pessoas devem ir?

A boa notícia é que, desde 2014, esse serviço de vacinação já é oferecido em todo o Brasil através das Unidades Básicas de Saúde (UBS). A cobertura atinge meninas de 9 a 14 anos de idade e meninos de 11 a 14 anos. Caso sua filha(o) esteja nessa faixa etária, basta procurar o estabelecimento de saúde mais próximo de sua casa. No entanto, as taxas de aplicação da vacina contra o HPV ainda são extremamente baixas no mundo inteiro. A estimativa é de que apenas 1,4% das mulheres elegíveis receberam a imunização completa. Fator que dificulta a prevenção contra o câncer do colo do útero.

Relação entre o HPV e o câncer do colo do útero

O HPV, conforme já foi dito, é uma infecção sexualmente transmissível. O que, talvez, muitos não saibam é que ele é extremamente comum e afeta, principalmente, o público feminino. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 75% das mulheres sexualmente ativas no Brasil, em algum momento da vida, vão entrar em contato com o vírus do HPV. A grande maioria nem perceberá o ocorrido, no entanto, cerca de 5% delas tende a desenvolver o câncer do colo do útero, em um prazo de dois a 10 anos após o contágio.

"Na grande maioria dos casos, o câncer do colo do útero é causado por uma infecção persistente por alguns tipos oncogênicos do Papilomavírus Humano (HPV). A infecção genital por HPV é muito frequente e, na maioria das vezes, é assintomática e autolimitada, com grande parte das mulheres resolvendo esta infecção até os 30 anos de idade. Em alguns casos, porém, pode haver a persistência do vírus nas células do colo do útero. Isso promove as alterações celulares que podem progredir para o desenvolvimento de câncer", explica a oncologista, Dra. Marcela Bonalumi.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) apontam que o câncer do colo do útero, também conhecido como câncer cervical, é um dos mais comuns no Brasil. De acordo com a entidade, mais de 16 mil pessoas foram diagnosticadas com a doença em 2020. E ela fez 6.596 vítimas fatais em 2019.

Prevenção contra o HPV e o câncer do colo do útero

Esses números ressaltam ainda mais a importância de evitar o contágio de HPV e, consequentemente, o desenvolvimento do câncer do colo do útero. "A partir da imunização contra o HPV, é possível prevenir não só o câncer de colo do útero, mas também o de vulva, ânus e vagina nas mulheres e de pênis nos homens. Além disso, essa proteção pode auxiliar na precaução de lesões pré-cancerosas. Vale lembrar ainda que a vacinação deve acontecer antes do início da vida sexual, justamente por conta da exposição ao vírus. Por isso, é fundamental alertar e incentivar esse cuidado com informação de qualidade", explica a Dra. Bonalumi.

No entanto, outras maneiras de prevenção e acompanhamento também são fundamentais. "Combinada à vacinação, a realização do exame de rotina ginecológica – através do Papanicolau –, anualmente, durante dois anos consecutivos e, então, uma vez a cada três anos – dos 25 aos 64 anos de idade – é um meio importante de se tratar as lesões pré-cancerosas ou agir rapidamente contra o câncer do colo do útero”, conta.

“Mesmo as mulheres vacinadas devem fazer o Papanicolau periodicamente, pois a vacina não protege contra todos os tipos oncogênicos de HPV. A proteção vacinal cobre os Papilomavírus Humanos dos tipos 6 e 11 (que causam verrugas genitais), 16 e 18 (responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero)", completa a especialista.

Fontes: Marcela Bonalumi, oncologista do CPO Oncoclínicas; The Lancet; INCA; Ministério da Saúde.

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