Tosse pós-Covid-19 e outras sequelas graves podem durar meses, diz especialista

Entenda como prevenir e evitar complicações mais severas do pós-Covid-19. Doença pode ter relação com problemas renais e cardiovasculares

Tosse pós-Covid-19 é comum
Tosse pós-Covid-19 é comum - Shutterstock

por Felipe Bomfim
Publicado em 09/06/2022 às 08:00
Atualizado às 08:00

Facebook Saúde em DiaPinterest Saúde em Dia

A tosse pós-Covid-19 é um dos sintomas que mais incomodam as pessoas que tiveram a doença e já testaram negativo. Sabemos que indivíduos infectados costumam apresentar essa condição, além de coriza, febre, dor no corpo, dificuldade para respirar, entre outros problemas. Mas, mesmo depois de conseguirem se curar da doença, algumas sequelas podem permanecer por um bom tempo.

Quanto tempo a tosse pode durar

No entanto, inicialmente, vale lembrar que existe uma margem de erro nos resultados dos testes de Covid-19. Portanto, é possível que, mesmo ao testar negativo para a doença, o paciente ainda esteja com uma certa carga viral no organismo. O que seria a explicação para uma tosse persistente de alguns dias após a “cura”.

Em contrapartida, também existe a possibilidade dessa tosse pós-Covid-19 continuar por algumas semanas ou até mesmo meses. “Existem pessoas que estão há um ano com tosse residual, com bronquite residual e quadro pulmonar restritivo e obstrutivo – que pode ser leve, onde a pessoa nem percebe; ou médio, que a pessoa se incomoda, ou grave. Então, o quadro pulmonar, da garganta e da tosse pode persistir por algumas semanas ou muito mais tempo”, relata o Dr. Carlos Machado, médico preventivista e clínico geral.

Esse fato, inclusive, pode ter relação com uma característica das novas cepas do coronavírus, derivadas da variante Ômicron. Afinal, elas se duplicam tão rapidamente que costumam atacar primeiro a região da face, como garganta, nariz e traqueia. Como consequência, os primeiros sintomas tendem a ser tosse seca, pigarro e coceira na garganta.

Covid-19 pode provocar outras sequelas graves

Mas, engana-se quem pensa que, por não agredir o pulmão logo de início, as cepas da variante Ômicron são menos graves do que as outras. Segundo o Dr. Machado, o vírus também pode acometer diversas regiões do corpo, como cérebro, coração e rins. “No cérebro, ele [coronavírus] dá uma lesão importante, que pode permanecer por meses. Nos rins, ele está dando muita destruição renal, provocando uma falência renal lenta e progressiva. E tudo isso é causado por qualquer um dos vários subtipos ou mutações do coronavírus”, explica o médico.

“Tem muita gente que está evoluindo para ter um infarto, evoluindo para ter um derrame, evoluindo para ter uma trombose em alguma artéria nas pernas e evoluindo para gangrena e tendo que amputar dedos dos pés. Tudo isso são as complicações vasculares. Por isso, o mais importante não é tratar apenas a Covid-19, mas, no começo do quadro infeccioso, tratar para diminuir o risco de complicações futuras”, completa o Dr. Machado.

Como prevenir

Segundo ele, a única maneira de evitar, ou ao menos amenizar, possíveis sequelas graves da Covid-19 é através de tratamento e acompanhamento médico desde o início da infecção, para reduzir o quadro inflamatório provocado pelo coronavírus. Além disso, também é fundamental realizar consultas periódicas para avaliar o estado geral de saúde, mesmo na ausência de qualquer problema aparente.

“Essa revisão preventiva que consegue detectar pequenas alterações do processo inflamatório, ou os sinais de trombose, que vão provocar as complicações mais graves”, finaliza o médico.

Leia também