Tipos de cirurgia bariátrica

O procedimento é um dos métodos empregados no combate à obesidade

Cirurgia bariátrica é um dos métodos para combate à obesidade
Cirurgia bariátrica é um dos métodos para combate à obesidade - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 06/04/2021 às 10:59
Atualizado às 10:59

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A cirurgia bariátrica é considerada um método provadamente eficaz no tratamento da obesidade há anos. 

O procedimento se consolidou no Brasil em meados dos anos 1990, período em que a comunidade médica desenvolveu intervenções mais seguras e com taxas de sucesso satisfatórias.

Hoje, devido à variedade de técnicas empregadas, a cirurgia bariátrica pode receber diferentes classificações. Cada uma delas é baseada em procedimentos específicos, ainda que, no fim, todas ofereçam o mesmo resultado: a perda de peso.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), as intervenções podem ser realizadas de três formas: utilizando técnicas restritivas, disabsortivas ou mistas. Quando somente o estômago é alterado, a cirurgia é chamada de restritiva. 

Nesse procedimento, reduz-se o tamanho do órgão para que o consumo de alimentos sólidos e pastosos diminua. Ou seja, se a cavidade dentro do estômago é menor, uma pequena quantidade de alimentos já é suficiente para proporcionar saciedade. Assim, comendo menos, o paciente pode perder peso mais facilmente. 

Por outro lado, se a cirurgia pertence ao tipo disabsortivo, a parte digestiva modificada é o intestino delgado. Diminui-se a absorção de nutrientes para facilitar o emagrecimento. O intestino delgado, formado por uma longa faixa de células absortivas, é quem mais retém os componentes que digerimos.

No procedimento, são feitos “desvios” no órgão, de modo que os alimentos percorram um caminho menor e passem menos tempo dentro dele. Ao contrário da técnica restritiva, a disabsortiva não interfere na quantidade de alimentos que o paciente ingere. 

O que acontece é uma redução na absorção, o que, por consequência, prepara o terreno para o emagrecimento. Há ainda a possibilidade de os dois procedimentos serem usados em uma mesma cirurgia. Nesse caso, ela é chamada de mista, pois tanto reduz o tamanho do estômago, quanto modifica o trânsito intestinal.

Os tipos de cirurgia 

Atualmente, o Conselho Federal de Medicina (CFM), órgão que regulamenta a atividade médica no Brasil, autoriza a realização de quatro procedimentos: 

Desvio bypass gástrico 

É uma técnica mista na qual, inicialmente, divide-se o estômago em duas partes. A primeira, de volume reduzido, é ligada ao esôfago, de onde vêm os alimentos; a segunda, de tamanho maior, não entra em contato com a comida, mas continua secretando enzimas digestivas. O intestino delgado é costurado na primeira metade do estômago para encurtar o trajeto percorrido pelos alimentos. Isso faz desse procedimento o mais praticado no país (corresponde a cerca de 75% das cirurgias realizadas), pois, devido às alterações estruturais e hormonais que provoca, consegue fazer o paciente sentir menos fome.

Gastrectomia vertical (Sleeve)

É a segunda intervenção bariátrica mais recorrente em clínicas nacionais. Trata-se de uma técnica restritiva em que também se divide o estômago em duas porções, mas, nesse caso, uma delas - aproximadamente 80% do órgão - é removida definitivamente. A parte restante ganha a aparência de um tubo vertical, conectando o esôfago ao intestino delgado. Esse procedimento retira a área do estômago que produz o hormônio grelina, conhecido por estimular o apetite. 

Duodenal switch

Representando apenas 5% dos procedimentos, segundo dados da SBCBM, o duodenal acontece em dois passos: é feita uma gastrectomia vertical, em que se retira 60% do estômago, e, em conseguinte, é realizado um desvio no intestino.

“Essa técnica era feita em pacientes muito obesos e, para isso, havia uma desabsorção muito grande no intestino. Isso levava à desnutrição grave e à deficiência de vitaminas - principalmente as lipossolúveis, como A, D, E e K”, afirma a cirurgiã Adriana Meneses.

Banda gástrica ajustável

Essa técnica consiste na colocação de um dispositivo de silicone na área superior do estômago. Embora esse anel evite cortes e retirada de parte do órgão, pode ser um empecilho.

De acordo com Adriana, essa cirurgia pode acarretar no deslocamento do dispositivo e na obstrução intestinal (decorrente da migração da banda). Por isso - e por apresentar uma redução de apenas 20% do peso do paciente - essa técnica representa apenas 1% das cirurgias feitas no país, de acordo com a SBCBM.

Pré-operatório

Apesar de ser um método bastante utilizado, a cirurgia bariátrica não é tão simples - Créditos: Shutterstock 

“O processo pré-cirúrgico pode durar, em média, dois anos”, afirma o gastroenterologista Felipe Monteiro. Mas por que essa demora? 

A fase pré-operatória envolve várias vertentes. Nela, são trabalhados tanto a mente quanto o corpo. “Nesse período, são exercitadas questões importantes voltadas inteiramente ao paciente e ao ambiente que o cerca. São estudados distúrbios compulsivos, por exemplo, e expectativas futuras. A cirurgia não é uma saída milagrosa”, ressalta o especialista. Adriana Meneses cita alguns assuntos abordados no período de pré-operatório: 

*Embora não seja obrigatória a perda de peso antes da cirurgia, pacientes que reduziram até 10% da sua massa inicial no pré-cirúrgico podem passar por cirurgia com menos complicações.  

*Adriana afirma ser extremamente importante que o indivíduo procure um psicólogo e uma nutricionista; e que a cirurgia bariátrica só seja feita após o aval desses profissionais.

“O paciente deve estar muito bem preparado psicologicamente de que ele não vai poder comer do jeito que fazia antes”, afirma a cirurgiã. Adriana também incentiva a reposição vitamínica e de outros micronutrientes no período pré-operatório, como a vitamina D, que pode facilitar o emagrecimento. 

Consultoria: Adriana Meneses, cirurgiã; Felipe Monteiro, gastroenterologista