Bruxismo e cárie aumentaram na pandemia: saiba como tratar

Especialista dá dicas de como cuidar da saúde bucal para evitar infecções e transtornos com os dentes

Estudos indicam que o bruxismo aumentou durante a pandemia
Estudos indicam que o bruxismo aumentou durante a pandemia - Shutterstock

por Julia Natulini
Publicado em 07/07/2021 às 16:33
Atualizado às 18:14

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A pandemia da Covid-19 colaborou para diversas enfermidades aparecerem ou até mesmo agravou algumas já existentes, e a saúde bucal é uma delas. As mudanças de hábitos deram espaço ao surgimento de desconfortos, como cáries, doenças gengivais e bruxismo, que se não tratados podem causar a perda dos dentes . 

Para o Conselho Federal de Odontologia (CFO), o cenário é preocupante, considerando que a boca é uma das portas principais de entrada do coronavírus. A boa higienização da boca pode evitar, principalmente, problemas pulmonares que tornam o vírus ainda mais perigoso. No caso de pacientes contaminados com a Covid-19, a higiene bucal é capaz de evitar complicações à saúde. 

Os dentistas alertam que não realizar os exames radiográficos regulares por medo da Covid-19 impede que os problemas sejam detectados logo no início, fato que aumenta a gravidade e pode levar aos tratamentos de canal e até mesmo perda dos dentes.

Segundo o Dr. Vitor Abuharun, cirurgião-dentista, o aparecimento da carie é causado pela má higienição oral. “O fato de as pessoas estarem mais em casa, com a restrição de interação social, tende a reduzir os cuidados individuais com a higienição. Além disso, com o medo da pandemia, a ida ao dentista diminuiu. A melhor forma de prevenção  da carie é escovação após a alimentação e visitas periódicas ao dentista", explica.

Outro problema que se tornou mais frequente foi o bruxismo, caracterizado pelo ranger ou apertamento exagerado dos dentes durante o dia ou à noite. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a disfunção afeta cerca de 84 milhões de brasileiros, equivalente a 40% da população do País. 

Um estudo coordenado pelos programas de pós-graduação em Odontologia e Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS) constatou que a prevalência do ranger de dentes durante o sono triplicou durante a pandemia, passando de 8% para 28%. Já a ocorrência do bruxismo em vigília, que ocorre no momento em que as pessoas estão acordadas aumentou de 6% para 12%. Nesta primeira etapa, a pesquisa avaliou 50 alunos da universidade.

O cirurgião-dentista destaca ainda que existem opções diversificadas para o tratamento desse problema, como a placa de silicone estabilizadora ou acrílico moldadas no formato da arcada dentária que auxiliam com grande eficácia a reduzir o atrito entre os dentes. “Uma alternativa é a aplicação da toxina botulínica (botox), que alivia a dor ao relaxar os músculos, atenuando sua contração.

“Há ainda os tratamentos fora do consultório odontológico e que contribuem bastante quando associados a estes. A terapia psicológica é recurso para ajudar o paciente a tratar enfermidades como depressão e ansiedade, causadores do bruxismo. Além disso, o tratamento farmacológico que, em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicações para amenizar a dor ou tratar as doenças psiquiátricas associadas.

“Embora o medo e as restrições impostas pela pandemia possam reduzir as visitas ao dentista, é preciso reforçar as recomendações para que os tratamentos e os cuidados com a saúde bucal não sejam comprometidos. Como porta de entrada para o vírus e doenças consequentes do processo pandêmico que vivemos, a saúde bucal deve ser tão atendida quanto a psicológica e física”, finaliza o Dr. Vitor Abuharun. 

Consultoria: Dr. Vitor Abuharun, cirurgião-dentista da Cove Dental, clínica de odontologia. 

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