Covid-19: por que as vacinas são seguras e qual a diferença entre elas?

Doutora em genética detalha o funcionamento de todos os imunizantes contra o coronavírus

Vacinas contra a Covid-19 utilizam tecnologias inovadoras
Vacinas contra a Covid-19 utilizam tecnologias inovadoras - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 06/10/2021 às 17:00
Atualizado às 17:00

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A pandemia de Covid-19 alterou o estilo de vida de todas as pessoas do planeta. De uma hora para outra, hábitos comuns como passear no shopping, ir à um estádio de futebol ou ver um filme no cinema se tornaram arriscados. Até mesmo visitar familiares e fazer compras no mercado viraram tarefas complicadas.

Tudo por conta da disseminação do coronavírus, que acontece, predominantemente, pelo ar e tem o poder de se espalhar pela população com uma velocidade incrível. De acordo com dados do Consórcio de Veículos de Imprensa e das secretarias estaduais de saúde, o vírus já contaminou mais de 20 milhões de pessoas apenas no Brasil e já foi o responsável direto pela morte de aproximadamente 600 mil pessoas no país.

Por ser ocasionada por um vírus relativamente novo, as infecções por Covid-19 pegaram todos de surpresa, inclusive os profissionais da área de saúde. Ao perceberem o tamanho do problema, do início de 2020 para cá, cientistas do mundo inteiro se debruçaram para encontrar soluções eficazes para combater o coronavírus. Enquanto as respostas não foram encontradas, todo o planeta se viu obrigado a impor medidas de segurança como isolamento social, uso de máscaras e higienização constante das mãos e das superfícies.

Porém, em tempo recorde, a ciência conseguiu desenvolver imunizantes para frear as contaminações e reduzir o risco de hospitalização por Covid-19. As famosas vacinas já se tornaram realidade no planeta e são responsáveis pela queda global do número de infecções e mortes decorrentes do coronavírus. Fatores que, aos poucos, permitem a retomada de hábitos que ficaram no passado.

“Dados atualizados da organização mundial Our World in Data mostram que, até o dia 30 de setembro, já foram administradas, mundialmente, 6,27 bilhões de doses de vacinas contra a Covid-19, o que representa 45,3% da população que recebeu a primeira dose e 33,9% da população totalmente vacinada com as duas doses. Os dados são expressivos e mostra um esforço coletivo de todas as nações para conter a disseminação do Sars-Cov-2. Nunca na história se vacinou tanta gente em tão pouco tempo contra uma doença, como atualmente. Estamos vivendo um período sem precedentes”, analisa Liya Regina Mikami, doutora em genética pela University of Nebraska e professora da Faculdade Evangélica Mackenzie Paraná.

No entanto, por desinformação, algumas pessoas ainda sentem medo de tomar as vacinas contra a Covid-19. O receio mais comum é referente às possíveis reações e alterações fisiológicas que os imunizantes podem provocar à longo prazo. Mitos sobre o desenvolvimento de doenças e mutações genéticas também rondam o imaginário popular e afastam algumas pessoas da seringa.

“As vacinas foram uma grande evolução da ciência que trouxe muitos benefícios à população, o maior deles é, sem dúvida, a proteção, individual e coletiva, contra inúmeras doenças infecciosas”, conta a especialista. No entanto, novas tecnologias de imunizantes foram desenvolvidas para combater a Covid-19. Algo que gerou mais dúvidas na mente de pessoas que não acreditam nos poderes benéficos da vacina.

Por isso, com a ajuda de Mikami, detalhamos os métodos utilizados para criar as vacinas contra o coronavírus. Confira:

Vírus inativado (Coronavac)

De acordo com o Butantã, instituto que produz a Coronavac no Brasil, o imunizante foi desenvolvido com um método já consolidado e amplamente estudado. Também utilizado na fabricação de vacinas contra outras doenças. “As vacinas até agora disponíveis eram, principalmente, as que possuem o agente infeccioso (vírus ou bactérias) morto ou inativado. O que fazia o organismo humano, ao receber a vacina, desenvolver proteção contra estes agentes através da ativação de anticorpos”, explica a especialista.

Vacinas de RNA (Pfizer)

“Nesses imunizantes que estão sendo aplicados na população, como a vacina da Pfizer/BioNTech, ao invés de se aplicar o agente infeccioso, os indivíduos recebem uma molécula que contém a ‘receita’ para produzir uma proteína importante do vírus, sem a qual, ele não sobrevive no organismo humano. Assim, se você for infectado, o vírus não sobreviverá ou causará menos efeitos pois os anticorpos que foram produzidos em razão da vacina que você tomou irão lhe proteger, parcial ou totalmente”, conta a professora.

Imunizante vetorizado (Astrazeneca e Janssen)

“É a que utiliza um vetor (adenovírus modificado) contendo uma parte do material genético do Sars-Cov-2 para produzir uma proteína importante do vírus. As vacinas das fabricantes AstraZeneca e Janssen utilizam esta metodologia. O vetor, que podemos chamar de meio de transporte, leva esse pedaço do material genético do vírus para dentro do corpo e é um outro vírus que foi geneticamente modificado para não causar nenhum mal ao organismo. Após a vacinação, esse adenovírus começa a produzir a proteína do coronavírus que então vai estimular o nosso organismo a produzir defesa contra ele nos deixando mais protegidos, no caso de sermos infectados”, diz Mikami.

O mais importante, no entanto, não é qual tipo de imunizante é o melhor. O fundamental é, simplesmente, tomar a vacina que estiver disponível o quanto antes e, assim, promover o mais rápido possível a proteção para todas as pessoas da sociedade. Essa é a única maneira de retomar a vida de antigamente com segurança e tranquilidade.

Sobre o risco de possíveis alterações genéticas no DNA de quem recebe os imunizantes, a professora Mikami foi taxativa: “Chance zero. O RNA ou o DNA das vacinas não têm a capacidade de se juntar com o DNA do organismo, pois estão em locais diferentes e não se encontram, o DNA está no núcleo da célula e o material das vacinas sequer chega ao núcleo, ficando apenas na periferia (citoplasma). Seria o mesmo que querer misturar água com óleo, ainda mais estando em copos separados”, explica.

Se as vacinas são tão boas, por qual motivo estão aplicando a terceira dose?

Essa pergunta também costuma ser frequente entre as pessoas que não se vacinaram. No entanto, a resposta é simples.

“Vários estudos realizados por pesquisadores do mundo todo têm mostrado que uma terceira dose da vacina, diferentemente daquela administrada nas doses anteriores aumenta em cinco a seis vezes a proteção dada por duas doses e previne casos graves e hospitalizações. Isto porque, com o passar do tempo, a resposta imune cai, e a terceira dose estimularia novamente a produção de anticorpos em níveis semelhantes aos adquiridos após a vacinação original, ou seja, a chance de combater o vírus em nosso corpo fica maior”, finaliza a professora Mikami.

Fontes: Butantã / Liya Regina Mikami, doutora em Genética pela Universidade Federal do Paraná e University of Nebraska; mestre em Ciências Biológicas (Biologia Celular) pela Universidade Estadual de Maringá; graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Maringá. Realizou estágio pós-doutoral em Genética Molecular Humana no Centre de Recherches du Service de Santé des Armées (CRSSA), em Grenoble/França. Pós- doutorado em Ciências da Saúde pela PUC/PR, em andamento. Desenvolve projeto de pesquisa na área de Genética Humana em Investigação Clínica e Experimental de Doenças Humanas (Fibrose Cística, Autismo e Fissuras Labiopalatais). Tem experiência na área de Biologia Geral, com ênfase em Genética, atuando principalmente nos seguintes temas: genética molecular humana, fissuras labiopalatais, mutações, autismo, tecnologia do DNA recombinante. Atualmente é professor da Faculdade Evangélica Mackenzie Paraná.

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