Dia das Crianças: saúde mental dos pequenos merece atenção

Pandemia evidenciou questões emocionais em todas as faixas etárias da sociedade

Mente das crianças também precisa de cuidados
Mente das crianças também precisa de cuidados - Shutterstock

por Felipe Bomfim
Publicado em 12/10/2021 às 11:00
Atualizado às 11:00

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Hoje, dia 12 de outubro, é comemorado o Dia das Crianças. Uma data simbólica, para celebrar aquela que, talvez, seja a fase mais divertida da vida. Ou que, pelo menos, deveria ser. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o trabalho infantil atinge quase três milhões de crianças – entre 05 e 17 anos – no Brasil. Segundo a Unicef, garantir a implementação da Lei da Aprendizagem e o retorno de todas as crianças e adolescentes à escola é essencial para proteger meninas e meninos dessa exploração.

Porém, a pandemia de Covid-19 parece ter bagunçado ainda mais essa situação. Mesmo as crianças que tinham uma vida condizente com suas idades tiveram que se afastar de alguns hábitos importantes para a formação. “A pandemia impôs abruptamente mudanças na vida cotidiana das crianças, causando rupturas e mudanças em rotinas familiares, educação e atividades recreativas”, ressalta Ana Luiza Tavares, psicóloga e coordenadora da Psicologia Viva.

De acordo com a especialista, esses fatores serviram para escancarar um problema que já era realidade e ficou ainda mais evidente: a negligência perante a saúde mental das crianças. “A pandemia gerou impacto em todas as faixas etárias das populações, contudo, são as crianças que apresentam recursos de adaptação e enfrentamento em construção. Ou seja, eles possuem menos recursos emocionais e comportamentais para lidar com as inseguranças, estresse, luto e emoções difíceis”, conta a psicóloga.

Como identificar problemas de saúde mental nas crianças

Prestar atenção no comportamento dos filhos e estabelecer um canal saudável e aberto para o diálogo são as melhores ferramentas para evitar problemas mentais nas crianças. Como os pequenos estão em constante evolução e aprendizado, o acompanhamento dos pais precisa ser diário e intenso. Segundo Ana Luiza, existem também alguns sintomas que merecem maior atenção.

“Irritabilidade, mudanças de humor, insônia, dificuldade de concentração e apatia são sinais que indicam a necessidade de maior atenção. É importante identificar comportamentos que destoam daquilo que era a forma de reação, ou de lidar com o estresse antes da pandemia. Este comparativo é importante também para compreender como o estresse de adaptação dá sinais através do comportamento”, relata.

Qualquer alteração drástica ou gradativa que seja percebida pelos pais precisa ser trabalhada. Caso o diálogo e o compreendimento da situação não sejam efetivos para reverter o quadro, é fundamental procurar ajuda especializada de um psicólogo. Assim como os adultos, as crianças também podem precisar de algum tipo de tratamento para recuperar a saúde mental.

Cuidado com retorno das aulas

“A retomada das aulas, ou o retorno aos ambientes de socialização, não vão ocorrer como ocorriam antes da pandemia. A criança retorna ao ambiente físico no qual ocorriam as socializações, construções e interações. Contudo, ela retorna a este lugar físico com uma bagagem do que vivenciou no isolamento que pode ter sido bem adaptado ou não. E volta com regras de interação diferentes, ou seja, ela não volta a interagir como antes”, finaliza Ana Luiza.

Fonte: Ana Luiza Tavares, psicóloga e coordenadora da Psicologia Viva, maior empresa digital de saúde mental da América Latina e integrante do Grupo Conexa.

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