Obesidade aumenta risco de morte por Covid-19; saiba como combater a doença

Sobrepeso excessivo é fator de risco para várias enfermidades e pode intensificar sintomas causados pelo coronavírus

Obesidade é uma doença crônica que exige cuidados e tratamento
Obesidade é uma doença crônica que exige cuidados e tratamento - Shutterstock

por Felipe Bomfim
Publicado em 14/09/2021 às 17:00
Atualizado às 17:00

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A obesidade é um dos maiores problemas da sociedade atual. A vida moderna, sobretudo em grandes cidades, impacta também o estilo de vida adotado pelas pessoas. É normal que na pressa do dia a dia, algumas questões fiquem em segundo plano. O problema é quando isso interfere diretamente na saúde. Trabalhar muito, não praticar atividades físicas e descontar tudo na alimentação é um combo perigoso. Dele podem surgir sintomas como ansiedade, depressão e acúmulo de gordura corporal

De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mais de 60% dos brasileiros adultos estão com excesso de peso. Sendo que aproximadamente um em cada quatro pessoas são obesas no Brasil. Um grande problema de saúde, já que a condição é favorável para o desenvolvimento de várias doenças, como hipertensão e diabetes.

Porém, um agravante ainda mais perigoso apareceu no início de 2020. A pandemia de Covid-19 atingiu o mundo e obrigou várias pessoas a ficarem confinadas em casa. Fator que aumentou o sedentarismo e contribuiu para muitos indivíduos ganharem peso. Como se não bastasse, com o passar do tempo, foi identificado que a obesidade também aumenta o risco de morte das pessoas que contraem o coronavírus.

Uma das doenças relacionadas ao ganho de peso é a diabetes, que diminui a capacidade imunológica do paciente. Mas, de acordo com o cirurgião Fábio Viegas, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), esse não é o único fator de risco que a obesidade impõe aos pacientes com Covid-19. “Obesidade é uma doença que leva o indivíduo a um quadro inflamatório. Quando o paciente adquire o vírus da Covid-19, ocorre um processo inflamatório que pode evoluir para o que chamamos de síndrome de resposta inflamatória aguda grave, ou seja, uma alteração das funções orgânicas”, conta o especialista.

De acordo com uma pesquisa publicada pela revista científica Obesity Research & Clinical Practice, pessoas obesas – independente de idade, sexo ou presença de outras comorbidades, possuem mais chances de desenvolver a forma grave da Covid-19. Doença que, segundo o Consórcio de Veículos de Imprensa com dados das secretarias estaduais de saúde, já matou mais de 500 mil pessoas apenas no Brasil.

Como evitar a obesidade

Pessoas que ainda não chegaram à um nível crítico de obesidade, que comprometa a locomoção e a realização de tarefas simples, podem solucionar o problema com pequenas atitudes. Falta de vontade quase nunca é o maior impeditivo na luta contra a balança. Talvez, o grande problema esteja na pressa por resultados rápidos. A pessoa quer perder toda a gordura de uma vez, aposta em estratégias mirabolantes que dificilmente dão certo, se frustram e desistem de continuar. Além de traumas psicológicos, esse processo também pode gerar o efeito sanfona – emagrecimento rápido e ganho de peso logo em seguida.

Para evitar que isso aconteça, é preciso traçar pequenas metas e ir com calma. Uma boa alternativa para começar a mudar o estilo de vida é parar de comer alimentos industrializados e ricos em gorduras saturadas, como fast-food. Aliado a isso, também é importante procurar uma atividade física agradável, que seja divertida e gostosa de fazer.

“A melhor maneira de você fazer uma atividade física hoje para não se expor é fazer atividade física ao ar livre. As chances de você se contaminar por Covid-19 são muito remotas porque há uma diluição do número de partículas virais por metro quadrado. Fazendo atividade ao ar livre você vai ter um gasto calórico bacana sem estar em um ambiente fechado como nas academias em que você pode estar perto de pessoas que podem estar contaminadas e assintomáticas”, conta o Dr. Viegas.

Quando procurar ajuda médica

Esses são os primeiros passos para evitar que aquelas gordurinhas a mais se tornem um grande problema. Porém, em casos mais graves, onde o estilo de vida saudável não faz efeito, ou não tem a aderência necessária, é preciso procurar ajuda. Um corpo especializado, com profissional de educação física para conduzir exercícios, nutricionista para calcular a dieta e um médico para avaliar de perto a situação é o mais indicado.

“O primeiro passo é buscar o diagnóstico, entender o grau de obesidade e se existem doenças associadas. O paciente pode buscar um clínico ou um endocrinologista. Serão solicitados exames e, dependendo do grau de obesidade, o paciente pode receber a indicação do tratamento cirúrgico. Se possuir as indicações, o paciente será encaminhado para um cirurgião bariátrico para avaliação. Não existe um tratamento específico, cada paciente deve ser avaliado de forma individual”, conta o Dr. Viegas.

Mas vale lembrar que a cirurgia bariátrica não é garantia de que o paciente vai se livrar totalmente da obesidade. É necessário um acompanhamento médico e nutricional adequado, para que não ocorra nenhum tipo de regressão. Portanto, o estilo de vida saudável é importante mesmo em pacientes operados. “A cirurgia para o tratamento de obesidade é uma escolha terapêutica de exceção para casos extremos ou especiais”, conta a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN).

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