Obesidade infantil: causas e consequências

A condição pode trazer consequências à saúde da criança; saiba como evitá-la

Crianças obesas podem se tornar adultos obesos
Crianças obesas podem se tornar adultos obesos - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 09/07/2021 às 09:30
Atualizado às 09:30

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 A obesidade infantil é caracterizada pelo excesso de peso entre bebês e crianças até os 12 anos de idade e, assim como nas outras faixas etárias, há vários fatores que a originam.

“A obesidade é uma doença de causa multifatorial, envolvendo aspectos genéticos, metabólicos, socioeconômicos, culturais e psicológicos, sendo uma pequena parte por problemas hormonais”, explica o médico pediatra Luciano de Camargo Pacheco Filho.

As mudanças que ocorreram nas últimas décadas, como a troca de alimentos naturais pelos processados, ricos em açúcar e gordura, além do sedentarismo, foram fundamentais para o aumento do número de crianças obesas. E ainda há o complicador que a obesidade está chegando cada vez mais cedo à vida das pessoas.

”O surgimento da obesidade tem sido antecipado, em decorrência do estilo de vida do mundo atual. Conforme dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de crianças obesas tem aumentado de 20% nos meninos e até 32% nas meninas nas últimas décadas, tendo o percentual de obesidade triplicado nas faixas de baixa renda”, completa Luciano.

Da infância para a vida adulta

A obesidade infantil carrega dois componentes bastante significativos e que podem afetar o futuro da criança. Há o emocional, que é muito forte, pois não é raro crianças obesas serem alvo de bullying por parte de outras crianças, o que pode causar danos psicológicos.

Outro fato que merece atenção é que a condição pode sair da infância e percorrer a fase adulta. Segundo Camargo, após cinco anos, a chance de uma criança obesa se tornar um adulto obeso é de cerca de 70% a 80%, trazendo, em curto prazo, complicações como aumento de colesterol e dos triglicérides, pré-diabetes tipo 2, dores musculares/articulares, tendências a enxaquecas e, em longo prazo, doenças cardiovasculares, riscos de óbito precoce, doenças ortopédicas, entre outros males.

Prevenir ainda é o melhor remédio

De acordo com o pediatra, a participação dos pais é muito importante para a prevenção da obesidade nas crianças. Eles possuem um papel fundamental na inclusão de práticas mais saudáveis no dia a dia dos pequenos, e algumas atitudes podem fazer toda a diferença:

*Reduzir as comidas de restaurante, principalmente os chamados fast-foods

*Evitar o consumo de guloseimas, como chocolates, biscoitos recheados e doces

*Diminuir os tamanhos das porções

*Estimular o consumo de frutas, legumes e vegetais

*Realizar atividades físicas, trocando as horas do computador, smartphones e televisão por outros exercícios recreativos ou esportes.

É necessário frisar a importância  de uma avaliação nutricional e a inserção de atividades físicas orientadas por profissionais capacitados.

Por fim, o pediatra ressalta que “a terapêutica medicamentosa é de exceção na faixa pediátrica e o tratamento pode exigir equipe multiprofissional, envolvendo um trabalho conjunto de médico, nutricionista, psicólogo e orientador físico, além do empenho da família”.

Consultoria: Luciano de Camargo Pacheco Filho, pediatra 

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