Síndrome de Borderline: oscilação de humor ou falta de afeto?

Especialistas revelam de que maneira ela se manifesta e quais são os tratamentos para a “doença da falta de afeto”

Especialistas revelam de que maneira ela se manifesta e quais são os tratamentos para a “doença da falta de afeto”
Especialistas revelam de que maneira ela se manifesta e quais são os tratamentos para a “doença da falta de afeto” - Shutterstock

por Julia Natulini
Publicado em 30/06/2021 às 20:10
Atualizado às 20:15

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Um dos assuntos que têm sido muito falado durante a pandemia é a saúde mental, uma vez que os hábitos de vida foram mudados. O fato de ficar em casa para se proteger do Coronavírus contribuiu para o surgimento de transtornos psicológicos, que claro, de alguma maneira já existiam antes, mas estão mais presentes, nos últimos tempos.

Mudanças de humor repentina e instabilidade nas relações pode ser um problema mais sério do que parece, chamado de ‘Síndrome de Borderline’ ou ‘transtorno de personalidade borderline’. 

Segundo o Instituto de Psiquiatria Paulista, geralmente essas características podem aparecer no fim da adolescência e acompanhar o indivíduo durante a fase adulta, prejudicando sua vida em vários aspectos, principalmente as relações afetivas e profissionais.

Pode ser muito difícil conviver com um indivíduo que tenha borderline no trabalho, por exemplo, pois ao mesmo tempo em que ele pode se empenhar muito na realização de algumas tarefas, pode criar intrigas ou situações desconfortáveis para toda a equipe.

Em relação aos relacionamentos afetivos, hora o parceiro do Borderline se sentirá nas nuvens, como o ser mais amado, hora poderá sentir-se acuado por brigas, chantagens e reações exageradas. Ou seja, a pessoa tende a ter um padrão de relacionamentos intensos e bastante instáveis, indo da idealização e amor à desvalorização e ódio facilmente.

A psicóloga Ana Gabriela Andriani ressalta que é necessário prestar atenção aos sinais da doença, que podem passar despercebidos. “O principal sintoma está relacionado à oscilação de humor constante. “Quem possui essa síndrome, geralmente são pessoas carentes e que precisam de muito afeto”.

“Quando os estados de humor se alteram de uma forma muito intensa, ou seja, a pessoa se sente muito triste e ao mesmo tempo alegre em um curto espaço de tempo, é preciso ficar atento.  “Quem possui essa síndrome, geralmente são pessoas carentes e que precisam de muito afeto. O principal sintoma está relacionado à oscilação de humor constante”, explica.

Como é diagnosticado o transtorno de borderline?
O paciente passa por uma avaliação junto ao psiquiatra de maneira criteriosa, ao notar padrões de comportamento e os conjuntos de sintomas característicos desse transtorno.

Como o borderline é um transtorno de personalidade, seu diagnóstico deve ser ainda mais minucioso, isso envolve os relatos do paciente e o estudo do psiquiatra.

Quais são os tratamentos ?
O tratamento para borderline é realizado com o uso de medicamentos antidepressivos, estabilizadores de humor e calmantes indicados pelo médico psiquiatra.

Além do tratamento com remédios, é necessário manter acompanhamento psicológico para realizar psicoterapia e ajudar o indivíduo a controlar suas emoções negativas, como saber enfrentar momentos de maior estresse. 

Psicoterapia
A psicoterapia é um dos principais tratamentos para pessoas com 'Síndrome de Borderline'. O acompanhamento psicoterapêutico pode ser fundamental para aliviar alguns sintomas.

A psicoterapia pode ser realizada individualmente entre um psicólogo e o paciente ou em uma configuração de grupo. As sessões em grupo conduzidas por psicólogos especializados no quadro podem ajudar a ensinar essas pessoas a interagirem e a se expressar de forma eficiente. É importante que, em terapia, tenham uma boa relação de confiança.

A própria natureza da Síndrome de Borderline pode tornar difícil para as pessoas manter um vínculo confortável e confiante com seu terapeuta.

Vale ressaltar que não há cura para esse transtorno, mas o paciente que for diagnosticado e realizar o tratamento da forma correta tem condições de viver plenamente a sua vida e manter relações saudáveis sem prejudicar a vida pessoal, profissional e afetiva.

Transtornos de personalidades podem estar ligados ao DNA
A síndrome pode ser motivada por fatores ambientais e até mesmo genéticos. Uma das características comuns é a impulsividade, que pode ser definida como um padrão de comportamento rápido e não planejado, em que o indivíduo não pensa muito sobre as consequências.

Dessa forma, pode afetar as estruturas e funcionamento de áreas do cérebro, como o córtex cerebral e, consequentemente, afeta o relacionamento com as pessoas que estão ao redor. Em muitos casos, esse tipo de comportamento pode estar atrelado a distúrbios como TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção) e a alimentação compulsiva, entre outros.

Com o avanço de estudos científicos, da pesquisa e da tecnologia, alguns recursos já foram desenvolvidos e são capazes de identificar a tendência de cada indivíduo a comportamentos impulsivos, como o mapeamento genético. Com apenas uma amostra de saliva, o teste faz a leitura de pontos específicos do DNA e aponta se cada aquela pessoa possui marcadores genéticos ligados à impulsividade.

De acordo com o médico Ricardo di Lazarro Filho, no teste são avaliados um marcador no gene responsável pela enzima que converte a dopamina em noradrenalina, substâncias que ajudam a regular os neurônios. São essas variantes presentes no DNA que estão associadas às diferenças nos traços de personalidade relacionados à impulsividade.

“Os testes de genômica pessoal oferecem caminhos mais acessíveis para o autoconhecimento, que auxiliam na busca por uma vida mais saudável e de uma forma personalizada, tudo de acordo com pontos específicos da sua genética”, finaliza Ricardo.

Além da propensão à impulsividade, outros aspectos são possíveis de serem analisados por meio do DNA. O nível de habilidade em matemática, fome emocional, sensibilidade à cafeína e até resistência física e performance atlética. 

Pessoas com Bordeline costumam apresentar, também: predisposição a obesidade, alcoolismo, vício em nicotina e a doenças como diabetes, câncer, Alzheimer, Parkinson, infarto do miocárdio. 

Consultorias: Ana Gabriela Andriani, psicóloga e doutora pela Unicamp e Ricardo di Lazarro Filho, médico e sócio-fundador da Genera e Insituto de Psiquiatria Paulista.

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