Lúpus é uma doença autoimune que atinge mais as mulheres

Especialista esclarece os mitos e verdades relacionados a essa enfermidade

Segundo o Dr. Morton Scheinberg, pesquisador em doenças autoimunes, o lúpus pode surgir em diversos órgãos
Segundo o Dr. Morton Scheinberg, pesquisador em doenças autoimunes, o lúpus pode surgir em diversos órgãos - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 05/07/2021 às 14:17
Atualizado às 10:23

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O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica de origem autoimune, em que os sintomas podem surgir em diversos órgãos de forma lenta e progressiva (em meses) ou mais rapidamente (em semanas) e variam com fases de atividade e de remissão.

O que talvez muitas pessoas tenham dúvidas é sobre os cuidados que a doença exige. O Dr. Morton Scheinberg, pesquisador em doenças autoimunes, PhD (Universidade de Boston/EUA), livre-docente em imunologia (USP), e reumatologista do Hospital Israelita Albert Einstein, esclarece as dúvidas sobre os principais mitos e verdades dessa enfermidade.

A incidência de lúpus é maior em mulheres?
Verdade. A doença ainda continua a ser uma das enfermidades crônicas mais frequentes nas mulheres em idade reprodutiva, sendo também a doença dez vezes mais frequente no sexo feminino.

Segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia,  uma a cada 1.700 mulheres no Brasil tenha a doença. Desta forma, em uma cidade como o Rio de Janeiro teríamos cerca de 4.000 pessoas com lúpus e em São Paulo aproximadamente 6.000. Por essa razão, para os reumatologistas, o lúpus é uma doença razoavelmente comum no seu cotidiano.

O paciente com Lúpus não pode ser vacinado contra a Covid-19?
Mito. Segundo o Dr. Scheinberg, o quadro de Covid-19 em portadores de doença autoimune tem sido muito variável. Alguns estudos com número elevado de pacientes, mostram que não há muita diferença no quadro clínico de um paciente com e sem doença autoimune que desenvolve a forma mais grave da Covid-19.

Os estudos que avaliaram a eficácia das vacinas excluíram os pacientes portadores de doenças autoimunes, mas os benefícios para seguir com a vacina é melhor nestes casos do que não tomar. Não há relatos de eventos adversos graves nesse grupo de pacientes que tomaram a vacina. O ideal é que o paciente se informe com o médico. 

O sol é um dos gatilhos do lúpus?
Verdade. Há sempre um gatilho que deflagra o lúpus. Quando ambiental, ele costuma ser a exposição a luz solar. E o sol é o principal fator. Por isso, é sempre recomendada a fotoproteção.

O lúpus tem cura?
Mito.  Até o momento, o lúpus não tem causa ou cura conhecida. O diagnóstico e o tratamento precoces são a chave para um melhor resultado de saúde e geralmente podem diminuir a progressão e a gravidade da doença. Mas, o prognóstico mudou e melhorou muito nas últimas duas décadas quando comparado com as respectivas décadas anteriores.

O tratamento com imunobiológicos tem boa eficácia?
Verdade. Os tratamentos com imunobiológicos têm se mostrado eficazes para pacientes que sofrem com lúpus com ou sem comprometimento do rim, a Nefrite Lúpica (NL). Inclusive, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou neste ano a primeira terapia biológica para o tratamento da NL ativa em pacientes adultos.

A aprovação foi baseada nos resultados do estudo BLISS-LN, que apresentou informações sobre a resposta renal de eficácia primária no período de 104 semanas. No total, participaram 448 voluntários e 107 centros de pesquisa, sendo nove deles brasileiros.

Os resultados evidenciaram que pacientes tratados com terapia biológica, associada à terapia padrão, tiveram 55% mais chances de atingirem a essa resposta, quando comparados ao grupo placebo mais a terapia padrão.

Consultorias: Dr. Morton Scheinberg, pesquisador em doenças autoimunes, PhD (Universidade de Boston/EUA), livre-docente em imunologia (USP), e reumatologista do Hospital Israelita Albert Einstein e a Sociedade Brasileira de Reumatologia. 

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