Dia Mundial da Saúde Ocular: saiba a importância de cuidar da visão

A Dra. Alessia Braz, oftalmologista dá dicas de como prevenir doenças oculares

Data lembra da importância de realizar consultas periódicas com oftalmologistas
Data lembra da importância de realizar consultas periódicas com oftalmologistas - Shutterstock

por Julia Natulini
Publicado em 10/07/2021 às 09:05
Atualizado às 09:05

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Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), no documento “As Condições da Saúde Ocular no Brasil 2019”, a cegueira atinge 1.577.016 brasileiros, o equivalente a 0,75% da população. O documento aponta ainda que 74,8% dos casos podem ser prevenidos ou curados.

Outro dado alarmante diz respeito à redução no número de exames para detecção precoce de doenças oculares. De acordo com o CBO, os exames de glaucoma, por exemplo, caíram 30% nas unidades de saúde desde que a pandemia teve início no país. o glaucoma é segunda maior causa de cegueira no mundo.

O levantamento do CBO mostra ainda que aproximadamente 1,6 milhão de exames para diagnóstico de glaucoma deixaram de ser realizados somente no Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com a instituição, pelo menos 6,7 mil procedimentos cirúrgicos, que poderiam reverter e tratar a doença, também deixaram de ser realizados em 2020.

Além disso, com a adoção do “home office” e o “homeschooling”, as pessoas aumentaram o número de horas em frente a computadores, celulares e tablets, e consequentemente estão muito mais expostas à luz azul emitida por dispositivos digitais, que é nociva à saúde ocular e pode gerar desconfortos como vista cansada, vermelhidão e queimação nos olhos, dores de cabeça, cansaço e dificuldade para dormir.

De acordo com a American Optometric Association, o cansaço visual é uma consequência direta da utilização prolongada de dispositivos digitais. Chamada de “vista cansada digital”, ou “síndrome da visão computacional” (SVC), a condição pode atingir pessoas em qualquer idade.

E a SVC não é o único agravante dessa nova realidade “conectada”. A incidência de doenças oculares entre crianças e adultos tem crescido consideravelmente. A miopia, ou dificuldade de ver de longe, por exemplo, está aumentando a um ritmo acelerado, sobretudo entre as crianças.

Segundo o Ministério da Saúde, no Brasil há aproximadamente 35 milhões de pessoas míopes. A OMS estima que o número de casos nos próximos 20 anos deve aumentar 89% no País e 49% em nível mundial.

Dia Mundial da Saúde Ocular
Para alertar a população sobre necessidade de cuidar da visão e a importância de prevenir a cegueira, em 10/7 é celebrado o Dia Mundial da Saúde Ocular. A data lembra que, além de realizar consultas periódicas com oftalmologistas e usar a tecnologia para prevenir e tratar doenças oculares, há cuidados diários importantes para aliviar a vista cansada e reduzir riscos à visão.

A Dra. Alessia Braz, oftalmologista que atuou como orientadora do setor de cirurgia refrativa da Unifesp, e hoje é diretora clínica da Univi - centro oftalmológico especializado no diagnóstico e tratamento de doenças oculares, dá dicas para ajudar a manter a saúde ocular.

1. Realizar um exame oftalmológico completo periodicamente: é essencial consultar regularmente o oftalmologista, ao menos uma vez ao ano. Começar a sentir a visão turva ou fadiga ocular poderá ser um sinal de que está na hora de agendar uma nova consulta.

2. Fazer pausas regularmente durante o trabalho ou estudo: da mesma forma que o corpo precisa de atividades físicas, exercícios para os olhos também podem beneficiar a saúde. O ideal é parar para relaxar os olhos a cada 20 minutos, mantendo-os fechados por 20 segundos e olhar para distâncias variadas por algum tempo, pois nem todos tem a chance de abrir uma janela e olhar para o horizonte. Os intervalos “20-20” são preciosos, pois é preciso lembrar ao cérebro a necessidade de olhar para todas as distâncias. 

3. Piscar sempre para evitar olhos ressecados: ao usar o computador ou o smartphone, tende-se a piscar menos e a não se fechar completamente as pálpebras. Piscar umedece os olhos e evita que ressequem e fiquem irritados. Por isso, é fundamental fazer intervalos para piscar intensa e prolongadamente.

4. Umedecer os olhos: algumas pessoas sofrem de ressecamento nos olhos. Nesses casos, deve-se procurar um oftalmologista para avaliar a necessidade de lágrimas artificiais. Trata-se de um colírio lubrificante que aumenta a eficácia do filme lacrimal, evitando que a umidade evapore dos olhos rápido demais. Mas atenção, os colírios devem ser usados com orientação médica e sem excesso, pois alguns deles possuem conservantes que podem ser nocivos quando aplicados incorretamente.

5. Limitar o tempo que as crianças passam em frente de telas: as crianças em crescimento, cujos olhos ainda estão em desenvolvimento, não devem usar dispositivos digitais durante longos períodos. Para elas, mais ainda do que para os adultos, é essencial fazer pausas e limitar o tempo de exposição às telas.

6. Evitar a luz azul por pelo menos duas horas antes da hora de dormir: todos os dispositivos digitais emitem algum tipo de luz azul. Quando os olhos são expostos a uma certa intensidade e espectro de luz azul, o corpo liberta menos melatonina (o hormônio do sono). Com isso, a pessoa permanece mais alerta e fica acordada por mais tempo.

7. Fazer escolhas saudáveis na alimentação: os olhos adoram hortaliças. Comer legumes verdes, como brócolos, espinafre e couve – e também cenouras, ajuda a manter a saúde dos olhos. A hidratação também é importante, pois garante que os olhos recebam a umidade de que necessitam.

8. Passar mais tempo ao ar livre: ambientes fechados, com luminosidade artificial e ar-condicionado, por exemplo, geram uma série de malefícios à saúde. É muito importante passar períodos ao ar livre, seja no quintal ou na varanda, para que o organismo possa absorver a luz natural e a vista possa relaxar.

9. Criar um posto de trabalho/estudo ergonômico: para uma maior proteção dos olhos, é importante prestar atenção em onde e como os dispositivos eletrônicos são utilizados. O ideal é que estejam a uma distância confortável do rosto e na altura dos olhos.

Consultoria: Dra. Alessia Braz, oftalmologista.

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