Dia do Cardiologista; como é possível prevenir doenças coronárias; entenda

Especialistas falam da importância dos exames preventivos e alerta sobre infarto

"Cardiologistas observam o aumento da mortalidade por infarto do miocárdio no inverno"
"Cardiologistas observam o aumento da mortalidade por infarto do miocárdio no inverno" - Shutterstock

por Julia Natulini
Publicado em 14/08/2021 às 10:00
Atualizado às 10:00

COMPARTILHEFacebook Saúde em DiaPinterest Saúde em Dia

Neste sábado (14), é comemorado o ‘Dia do Cardiologista’, e não só nesta data, mas sempre é importante lembrar dos exames de check up capazes de encontrar doenças da maneira mais precoce possível. 

O cardiologista é responsável em cuidar da pressão alta, doenças coronárias, valvares, colesterol, diabetes, arritmia, entre outros. A Dra. Nicolle Queiroz, cardiologista e professora, diz que 5 pontos para construir uma vida saudável são: uma boa noite de sono, prática de exercício físico regular, alimentação balanceada, abandono do tabagismo e, sobretudo, manter uma vida feliz com pouco estresse

Além disso, há décadas que os cardiologistas observam o aumento da mortalidade por infarto do miocárdio no inverno. Um estudo do Instituto do Coração (InCor HCFMUSP) mostrou que, na cidade de São Paulo, esse aumento da mortalidade pode atingir 30%, na comparação com as outras estações do ano.

De acordo com o Dr. Fabio Brito Jr, coordenador da Cardiologia Intervencionista do Hospital Sírio-Libanês (HSL), “em parte isso se deve às temperaturas mais baixas, que fazem elevar a pressão arterial, a frequência cardíaca e a coagulação do sangue”.

“As temperaturas baixas podem colaborar com a ocorrência de espasmos (contrações) das artérias coronárias, diminuindo transitoriamente a irrigação sanguínea do coração. Há também, outros motivos que podem explicar o aumento de mortes por infarto no inverno, como a poluição e o ar seco, mais intensos no inverno, podem favorecer a ocorrência de infecções respiratórias e, consequentemente, causar inflamação generalizada no organismo, que pode resultar no infarto em indivíduos que já possuem obstruções por placas de gordura nas artérias do coração”.

Nesse inverno, em que muitos evitam ir aos hospitais em virtude da pandemia, os pacientes com infarto acabam recebendo atendimento médico mais tardiamente e com isso, os casos são mais graves e há um aumento marcado na mortalidade.

Há alguma relação entre a vacina da gripe e o infarto?
“Esse é, com certeza, mais um bom motivo para estimular a vacinação contra gripe e, atualmente, contra Covid-19. Evitar essas infecções respiratórias e inflamação no organismo, pode ter um bom efeito protetor também contra o infarto do miocárdio”.

“Na cardiologia, há uma frase consagrada que diz: tempo é músculo. Ou seja, quanto antes o paciente é tratado, mais músculo cardíaco é salvo. Portanto, se tiver angina ou dor no peito, mesmo numa noite fria e durante a pandemia, procure o atendimento médico com a maior brevidade possível. Isso pode fazer toda a diferença”, ressalta o especialista.

"Quando o indivíduo tem infarto ele pode ou não ficar com sequelas, ou não existe isso ?Infarto é uma doença grave que, se não tratada adequadamente e em tempo hábil, há risco de morte. As sequelas estão relacionadas com a perda de parte do músculo cardíaco. Depois do infarto, parte do músculo pode deixar de funcionar e o coração perde força e com isso, o paciente pode ter insuficiência cardíaca". 

Jovens saudáveis e ativos também correm o risco de sofrer infarto?
Todos  podem sofrer um infarto, já que existem outros componentes relacionados, a exemplo de genética. Pessoas magras e saudáveis também podem ter gordura nas artérias coronárias e, se não observado e cuidado, o indivíduo pode enfartar. “Por isso é tão importante fazer check up e isso é válido para todos”, alerta o Dr. Fábio Brito Jr. 

Fontes: Dra. Nicolle Queiroz, cardiologista e professora, coordenadora do programa de residência médica em clínica médica da Universidade de Santo Amaro e Fábio Brito Jr, coordenador da Cardiologia Intervencionista do Hospital Sírio-Libanês (HSL), e coordenador do núcleo de intervenção em cardiopatia estrutural do InCor (HCFMUSP)

Leia também