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Novembro azul: câncer de próstata é mais frequente em negros; entenda

Estudo revelou que homens de pele negra têm até 11% mais chances de desenvolverem o câncer de próstata. Paciente relata sua experiência com a doença

Novembro Azul: câncer de próstata é mais frequente em homens negros
Novembro Azul: câncer de próstata é mais frequente em homens negros - Foto: Shutterstock

O Novembro Azul é o mês mundial de combate ao câncer de próstata, o tipo mais comum entre os homens, e a causa de morte de 28,6% da população masculina que desenvolve neoplasias malignas, de acordo com o Ministério da Saúde. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata no Brasil. 

Para os homens de pele negra, o risco é ainda maior, como indica um estudo realizado nos Estados Unidos e publicado na revista médica Jama Network. Conforme a publicação, a progressão da doença em homens negros foi 11% maior do que em homens brancos.

Sintomas e diagnóstico

João de Souza, 55, é um homem negro que recebeu o diagnóstico do câncer de próstata em 2019. Para ele, a detecção da doença foi uma supresa. “Eu jamais imaginaria que poderia ser uma coisa desse tipo, até porque eu não tinha nenhum tipo de sintoma relacionado à próstata, não sentia dor, não sentia nada”, afirma.

O médico urologista Dr. Marcelo Wroclawski, presidente da Sociedade Brasileira de Urologia de SP (SBU-SP), explica que os sintomas surgem quando o câncer já está numa fase mais avançada. Nesse caso, é comum sentir vontade de urinar com frequência, e a urina passa a ser acompanhada de sangue.

João comenta que o único sinal de anormalidade que sentiu foi uma alergia no pênis, que causava ardência durante as relações sexuais. “Foi quando marquei a consulta com um urologista. Chegando lá, eu relatei o que estava sentindo e ele me indicou o uso de lubrificantes para amenizar a sensação”, afirma. 

No entanto, como fazia pelo menos oito anos que João não ia ao urologista, o especialista o encaminhou para a realização de alguns exames. “O primeiro foi o de sangue, o PSA, que constatou uma alteração considerável, um alerta de grau de risco”, conta.

Por conta dessa alteração, João precisou realizar exames mais específicos, como tomografia, ressonância e biópsia da próstata. Foi a biópsia que identificou a presença de um nódulo na próstata, confirmando o diagnóstico de câncer. “Você tem que ter um bom preparo psicológico para passar por tudo isso”, afirma. De acordo com ele, o apoio da mulher e da família é fundamental.

A surpresa do câncer de próstata

João conta que foi difícil e também bastante confuso receber o diagnóstico de câncer, principalmente porque não tinha sentido nenhum sintoma grave até então. Ele comenta que, de início, não quis fazer o tratamento, e foi sua esposa que o convenceu a passar pela cirurgia. 

Segundo o médico, muitas vezes, o urologista é a porta de entrada do homem no sistema de saúde. “Comumente trazido por sua parceira, com o intuito inicial de avaliar a próstata, acabamos diagnosticando outras afecções, muitas vezes silenciosas, mas que trazem grande impacto para a qualidade de vida e sobrevida da população como, por exemplo, pressão alta e diabetes”, destaca o Dr. Marcelo. Ele ressalta que os homens devem consultar um urologista anualmente a partir de 45 anos.

Tratamento e pós-operatório

João passou pela prostatectomia radical robótica para fazer a retirada do tumor. “A plataforma robótica, considerada atualmente o método cirúrgico mais moderno para o tratamento de câncer de próstata, utiliza imagens em 3D com alta definição, ampliação de imagens até seis vezes e movimentos precisos das pinças, que resultam em menor sangramento e dano dos tecidos”, explica o Dr. Filemon Casafus, urologista e diretor da SBU-SP.

Para João, o pós-cirúrgico foi o momento mais delicado. “Um dos momentos mais difíceis foi ficar com uma sonda peniana que vai até a bexiga e um dreno lateral, o que é muito incômodo. Depois que se retira o dreno e a sonda, é preciso usar a fralda geriátrica devido a incontinência urinária”, conta.

Além disso, há outros fatores que podem tornar a recuperação mais complicada. “Para o homem, a pior parte é ficar impotente, são de 6 a 9 meses de impotência sexual. Mas eu me recuperei até antes do tempo previsto”, afirma. Ainda assim, ele reconhece a importância do diagnóstico precoce e do tratamento.

“O conselho que eu dou aos homens é que supere o preconceito. Procure um médico regularmente, não espere chegar na idade limite. Faça consultas preventivas, pois um diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento e para uma recuperação favorável, e pode salvar a sua vida”, finaliza.

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