O perigo do vape: cigarro eletrônico está ligado ao aumento de doenças cardiovasculares

Proibido no Brasil, o vape faz sucesso entre os mais jovens, mas também provoca aumento no número de problemas cardiovasculares

Vape está ligado ao aumento de doenças cardiovasculares
Vape está ligado ao aumento de doenças cardiovasculares - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 10/05/2022 às 08:00
Atualizado às 08:00

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Mais moderno que o cigarro convencional, o vape, ou cigarro eletrônico, logo caiu no gosto dos jovens. Já em sua quarta geração no Brasil, o produto tem ganhado cada vez mais espaço nas festas, bares e restaurantes. 

O aparelho que prometia segurança se mostrou capaz de levar jovens à morte de maneira muito mais rápida do que o cigarro tradicional. Uma consequência trágica que acontece por conta de partículas ultrafinas geradas pelo equipamento, que conseguem atingir a corrente sanguínea, fazendo o corpo reagir com uma inflamação. 

“Muitas vezes, quando a inflamação acontece na parede do endotélio, que recobre as artérias, ele pode ser lesionado e deflagrar eventos cardiovasculares agudos, como infarto e síndrome coronariana aguda. A nicotina também tem influência no coração, porque aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial”, explica a Dra. Jaqueline Scholz, médica especialista da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) em ações contra o tabagismo.

Aumento no número de eventos cardiovasculares

De fato, o cigarro eletrônico contribui para o aumento dos casos das doenças do coração. Em países onde é comum o uso do vape há um crescente aumento de eventos cardiovasculares na população abaixo de 50 anos de idade.

Antes da pandemia de Covid-19, os Estados Unidos registraram 2.800 internações e 68 óbitos de jovens, 70% deles tinham menos de 34 anos de idade. Eles foram diagnosticados com a síndrome Evali (E-cigarette, or Vaping, product use–Associated Lung Injury), doença pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico. 

Hoje sabe-se que a mistura que mais causa Evali é composta por vitamina E, THC (principal componente ativo da maconha) e nicotina. Em 30% dos usuários, a utilização somente da nicotina já foi capaz de causar a doença.

“Diferentemente do cigarro convencional, que demora às vezes 20 ou 30 anos para manifestar doenças no usuário, o cigarro eletrônico, que prometia segurança, foi capaz de matar jovens rapidamente”, aponta Jaqueline Scholz.

Avanço dos estudos

A partir da terceira geração do vape no Brasil, o público que consome exclusivamente o cigarro eletrônico cresceu. Com isso, foi possível observar os impactos do vape no organismo sem a influência do cigarro convencional.

De acordo com a especialista da Sociedade Brasileira de Cardiologia, já há estudos que indicam que os vapes podem levar substâncias cancerígenas para a bexiga, gerar disfunção endotelial, aumento do risco cardiovascular, além de piorar e desencadear asma brônquica. “Ainda vai levar um tempo para avaliar se podem, de fato, causar câncer, já que envolve alterações genéticas, mas só o fato de saber que têm substância cancerígena já é um alerta”, expõe Jaqueline. 

Estudos também mostram que a promessa de acabar com o vício em nicotina não se cumpre. No geral, quem passou a usar o cigarro eletrônico continuou dependente da substância. O percentual de indivíduos que utilizam o produto e conseguem largá-lo definitivamente é igual ao daqueles que tentam parar de fumar sem usar outro método: 3% a 5%. 

Produto proibido no Brasil

A RDC nº 46 da Anvisa, de 2009, proíbe a comercialização, a importação e a propaganda de quaisquer dispositivos eletrônicos para fumar. Cabe à sociedade como um todo fazer cumprir a resolução e aos pais orientarem os filhos sobre a proibição e os perigos do vape.

Jaqueline Scholz lembra que a escola também assume um papel importante. “Os colégios precisam fazer campanhas educativas alertando, mostrando dados, convocando professores e convidando psiquiatras para palestrar. Os jovens são vulneráveis a todos os tipos de drogas, que podem modificar a capacidade cerebral, desencadeando, no futuro, depressão, ansiedade, doenças e instabilidades emocionais”, ressalta. 

Fonte: Jaqueline Scholz, médica especialista da SBC (Sociedade Brasileira de Cardiologia) em ações contra o tabagismo.

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