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Cirurgia plástica também é questão de saúde mental; entenda

Cirurgião plástico analisa como as redes sociais têm imposto um padrão de beleza irreal, afetando diretamente a saúde mental

Cirurgia plástica também é questão de saúde mental; entenda
Cirurgia plástica também é questão de saúde mental; entenda - Foto: Shutterstock

A rede social mudou completamente a forma como nos relacionamos. E não apenas com os outros, mas também consigo mesmo. O uso excessivo das mídias sociais pode levar à sensação de comparação extrema, assim como os filtros podem estimular uma ideia irreal de perfeição. Esse padrão do que é ser perfeito leva, muitas vezes, à realização de cirurgias plásticas, expondo um impacto profundo na saúde mental.

Com o crescimento das mídias sociais, o que é normal, ou o que pensamos ser normal, acaba sendo o que vemos com mais frequência. E, hoje, o que vemos com mais frequência é uma presença massiva de pele retocada, olhos ampliados, barriga sarada, essa eterna juventude, aponta o Dr. Josué Montedonio, cirurgião plástico e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

Esses padrões começam a se tornar “normais” e, com isso, a percepção do próprio corpo também começa a se alterar. Na vida real todos temos defeitos, inseguranças, alto e baixos, dúvida, lembra o cirurgião. E, como não existem filtros fora das redes sociais, a alternativa mais comumente escolhida é recorrer a procedimentos estéticos – sejam eles invasivos ou não.

Impacto na saúde mental

Conforme o médico, é preciso tomar cuidado com os excessos. “Todo mundo busca ser bonito e isso é benéfico, mas estética tem os dois extremos. Ela possibilita corrigir imperfeições fazendo com que a pessoa tenha melhor autoestima, mas quando há uma distorção ou exagero, passa a ser prejudicial trazendo desconforto psicológico”, alerta o especialista.

Josué explica que o problema começa quando a busca se torna patológica. “Essa busca incessante, que não é benéfica, se transforma numa obsessão, numa compulsão. A obsessão pela perfeição, na grande maioria das vezes, causa frustração, podendo desencadear o transtorno dismorfo corporal, onde a pessoa não se enxerga como é, potencializando imperfeições imperceptíveis e levando até a automutilação”, adverte.

Segundo ele, esse ideal inatingível pode levar a distúrbios alimentares, psicológicos e sociais, podendo fazer com que as pessoas fiquem deprimidas. Tudo porque buscam atingir um padrão que não existe. 

Fazer ou não uma cirurgia plástica?

“Como cirurgião plástico, muitas vezes atendo pessoas com expectativas de atingir determinado resultado irreal inspirado em alguma celebridade ou influenciador. E isso é impossível… Cirurgia plástica não é para atender expectativas irreais”, destaca.

Primeiro, porque cada pessoa possui características únicas, explica o cirurgião, como o tipo de pele, hábitos de vida, peso, altura e genética. Além disso, ninguém é perfeito. Segundo que “copiar” algo de alguém também é muito complicado, enfatiza o Dr. Josué. 

“Na verdade, a cirurgia plástica visa corrigir imperfeições e não tem o intuito de fazer alguém igual ou melhor que ninguém, mas para “despertar” nossa melhor versão. Não é uma competição”, diz.

Papel do profissional

De acordo com o cirurgião plástico, um bom cirurgião não se limita ao procedimento. Isso porque é imprescindível entender as expectativas de cada paciente, suas motivações e o que está acontecendo no momento. “É fundamental a certeza do benefício de que a cirurgia ou procedimento vai proporcionar uma melhoria. Além disso, é indispensável ficar claro que a beleza não possui um padrão”, destaca.

Segundo o profissional, são tempos difíceis para o desenvolvimento da autoestima com toda essa distorção do ideal de beleza. “Como médico, acredito que temos uma responsabilidade e um compromisso de mostrar o que é real, seus riscos e benefícios”, ressalta.

Para o especialista, é imprescindível informar sobre todos os riscos relacionados a qualquer tipo de procedimento de forma muito clara, explicando as intercorrências que podem acontecer. Além disso, a atenção e o cuidado com os pacientes submetidos a qualquer procedimento precisa ser uma constante em todas as etapas do processo. Isto é, especialmente no pós-cirúrgico, onde os pacientes se encontram mais vulneráveis.

Repensando a necessidade de mudanças estéticas

O Dr. Josué Montedonio lembra que a população brasileira tem uma origem de uma miscigenação de povos; os indígenas, africanos e europeus. Portanto, a beleza nacional é diversa. “Com essa miscigenação é difícil estabelecer somente um padrão de beleza. Num país cuja imagem é a ‘beleza natural’, a valorização das técnicas cirúrgicas acaba sendo um paradoxo, ainda mais com toda essa banalização imposta pela mídia”, alerta.

Para o cirurgião plástico, o resultado estético pode ficar em segundo plano. Além disso, muitas vezes, ao tratar transtornos dismórficos e alimentares, depressão e tantos outros problemas do tipo, a vontade de fazer um procedimento pode desaparecer. “A verdade é que nenhum corpo é errado, e os corpos foram realmente desenhados para serem diferentes”, ressalta.

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