Bichectomia: afinar o rosto tem contraindicações?

Segundo o Dr. Victor Cutait, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, "a cirurgia estética não é recomendada"

Nos últimos tempos esses procedimentos estéticos vêm sendo realizados por profissionais que não dominam essas técnicas
Nos últimos tempos esses procedimentos estéticos vêm sendo realizados por profissionais que não dominam essas técnicas - Shutterstock

por Redação SD
Publicado em 24/06/2021 às 18:15
Atualizado às 19:29

COMPARTILHEFacebook Saúde em DiaPinterest Saúde em Dia

Em busca de uma aparência melhor, os procedimentos estéticos como afinar o rosto podem trazer resultados satisfatórios que melhoram a autoestima e mudam positivamente a vida das pessoas. Entretanto, também existe um outro lado: o do risco. Há procedimentos que podem afetar, tanto a harmonia dos traços do rosto, quanto o emocional dos pacientes de forma negativa.

A intervenção cirúrgica, que voltou a estar na moda há cerca de quatro anos, requer alto grau de análise prévia, já que seu princípio se baseia na retirada permanente da gordura na região da bochecha. 

Existem diversos perigos nesse procedimento e a influenciadora Jéssica Frozza usou as redes sociais para relatar sua péssima experiência pessoal. Além disso, há perfis que vêm ganhando destaque por divulgarem imagens de antes e depois de resultados insatisfatórios da operação, como é o caso da página no Instagram @vitimasdabichectomia.

De acordo com o Dr. Victor Cutait, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, o resultado final a longo prazo tem altas chances de ser insatisfatório fisicamente, já que deixa o rosto com aparência muito fina e desigual.  E, também, emocionalmente, uma vez que o procedimento, pensado para aumentar a autoestima, pode em pouco tempo ter um efeito totalmente contrário (o tal efeito de a cara cair) e abalar a autoconfiança do paciente.

Outros problemas incluem lesões do nervo facial, gerando paralisia, hemorragias, assimetria facial e infecções. "A gordura é essencial para sustentação da face e, muitas vezes, não é nossa inimiga. Influenciadoras e a mídia trazem a bichectomia, que é a retirada da gordura, como uma operação com ótimos resultados, já que, no primeiro momento, o rosto realmente aparenta harmonia”, explica o cirurgião.

Apesar da cirurgia ser relativamente simples e pouco invasiva, o especialista adverte que há uma certa "banalização" do uso e que a operação é mais complexa do que centros estéticos demonstram. "Essa região é ligada a uma área muito delicada da face, fica próxima a várias terminações do nervo facial, ducto parotídeo, por onde a saliva circula da glândula parótida para a boca, e dos principais vasos sanguíneos da face.

Melhorar a estética facial cai na moda de tempos em tempos

O médico também conta que a cirurgia existe há cerca de 60 anos e, ao longo dos anos, tem picos de modismos. "A bichectomia é solicitada eventualmente no meu consultório por pacientes que desejam um rosto menos redondo e, na maioria dos casos, eu não recomendo a operação, pois traz mais resultados negativos do que positivos.

Há também situações em que o rosto tem aparência mais alongada e arredondada em razão de outras causas e não da bochecha, como a hipertrofia do músculo masseter, sendo assim, a retirada da gordura da bochecha não resulta na aparência mais fina do rosto", diz o médico.

O mesmo tipo de alerta faz a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, que realizou a campanha ‘Bichectomia: Não é tão simples quanto parece!’, em 2019, com o objetivo de demonstrar que a operação pode gerar distorções anatômicas que podem piorar com o envelhecimento.

A gordura da bola de Bichat é essencial, pois ajuda a manter o rosto com formato e estrutura adequados, mais jovial, além de ser muito importante para sustentar a musculatura da face. "A gordura na região também atua como um amortecedor de impactos, além de ajudar nos movimentos de mastigação e a retirada da gordura pode, em casos específicos, trazer benefícios, mas é preciso muita cautela para que o resultado não seja o de envelhecimento precoce e desestruturação da face que, infelizmente, é irreversível", revela o especialista.

"Nos últimos tempos, esse e outros procedimentos estéticos vêm sendo realizados por profissionais que não dominam suas técnicas plenamente e isso pode resultar em mais chances de resultados pouco satisfatórios. Por isso, considero ser essencial que a pessoa opte sempre por um cirurgião plástico membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica", finaliza.

Consultoria: Dr. Victor Cutait, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

Leia também