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Autoestima e saúde mental: quando a pressão estética se torna um problema

A modelo Izadora Carvalho conta que enfrentou grandes dificuldades em relação a autoestima e saúde mental desde nova por conta do trabalho

Autoestima e saúde mental: quando a pressão estética se torna um problema
Autoestima e saúde mental: quando a pressão estética se torna um problema - Foto: Shutterstock

A influenciadora Izadora Carvalho começou a carreira bem nova, fazendo seus primeiros trabalhos como modelo aos 9 anos de idade. Portanto, ela cresceu em meio a passarelas, flashes também em meio a comparações – características comuns do mundo da moda. Foi aí que os problemas de autoestima e de saúde mental começaram.

“É muito bom sabermos que somos admirados ou somos até mesmo inspiração para quem nos acompanha. Só que isso também nos trás uma cobrança enorme conosco mesmo”, relata a ex-namorada do cantor Felipe Araújo. Ela conta que começou a ir para a academia com apenas 13 anos de idade, o que mostra como a cobrança pelo corpo perfeito foi precoce.

Em relação aos treinos, aliás, Izadora relata ter ficado obcecada. “Eu tinha horário para treinar, dormir e comer. Por exemplo, quando eu perdia um dia de treino, me sentia muito mal, com a consciência pesada, e isso acaba nos afetando muito quando não temos maturidade para lidar. Hoje eu digo que me cobro ainda bastante, mas de uma maneira saudável, sem sacrificar minha saúde mental por isso”, afirma.

Desafios com a autoestima

Antes de atingir essa maturidade, Izadora encarou grandes desafios com a autoestima e a saúde mental. O primeiro deles foi o nariz, um incômodo desde a infância, o que se tornava complexo em trabalhos de foto que focavam na região. Por isso, aos 18 anos, a modelo recorreu à rinomodelação, uma técnica minimamente invasiva feita com ácido hialurônico. Ela aproveitou para também fazer um preenchimento labial.

“Na época eu amei, e sou grata até hoje. Porém, depois com o tempo e o excesso eu resolvi recorrer recentemente a rinoplastia porque vi uma mudança no tamanho do meu nariz e um pouco de acúmulo de ácido no lugar”, lembra a influenciadora. No entanto, isso não corrigiu a raiz do seu problema com autoestima – afinal, esta é uma questão interna.

“No primeiro momento, ajuda. Porque você se sente mais bonita e pensa ‘ah agora estou mais bonita, me sinto melhor’, mas começa novamente aquele ciclo vicioso de buscar mais e mais perfeição”, diz Izadora. 

Para ela, a virada de chave foi quando um grande número de haters passaram a falar da sua aparência nas redes sociais. “Foi um momento difícil, onde eu até desativei meu Instagram por um tempo, iniciei a terapia. E então entendi que o problema não estava em mim, mas sim na maldade dessas pessoas de quererem me ver mal. Obviamente também comecei a cuidar mais da minha saúde física e mental, pois foi um momento muito difícil para mim, e eu tinha apenas 18 anos”, conta. 

Recorrer ou não a procedimentos estéticos?

A psicóloga Katícia Guimarães, terapeuta de Izadora, afirma que o desejo de mudar a própria aparência pode ter raízes em diversas fontes. “Muitas vezes, as influências culturais e sociais desempenham um papel significativo nesse desejo. As normas culturais e padrões de beleza da sociedade podem moldar a maneira como alguém percebe sua aparência. Isso influencia o que é visto como atraente ou indesejado”, diz a profissional. 

Além disso, segundo ela, o ato de comparar-se constantemente com os outros pode intensificar sentimentos de inadequação ou insatisfação com a própria imagem. “Esse processo de comparação é exacerbado no ambiente das redes sociais, onde é comum que as pessoas apresentem versões idealizadas e muitas vezes filtradas de si mesmas”, destaca. Como consequência, é comum surgir um desejo crescente de mudança, o que pode levar aos procedimentos estéticos.

Porém, antes de realizar um procedimento do tipo, é preciso levar uma série de fatores em consideração. “Primeiramente, é vital refletir sobre as motivações pessoais que impulsionam esse desejo. Analisar se a vontade de mudança surge de uma necessidade genuína e intrínseca ou se é o resultado de pressões externas”, afirma a psicóloga. 

“Além disso, é imprescindível saber bem sobre os riscos e benefícios associados ao procedimento em questão. Com frequência, as expectativas em relação aos resultados podem ser irrealistas, e conversar com profissionais capacitados pode ajudar a alinhar e ajustar essas expectativas”, destaca. 

Por último, mas não menos importante, a profissional ressalta que é fundamental considerar o estado emocional e psicológico atual. “É necessário avaliar se o desejo de realizar o procedimento é, na verdade, uma tentativa de resolver um problema emocional ou psicológico mais profundo, que não será necessariamente solucionado apenas com alterações estéticas”, diz.

Encarando os problemas com a autoestima

Para aqueles que enfrentam desafios com a autoestima, diversas estratégias podem ajudar, afirma Letícia. A psicóloga elencou 4 pontos a serem trabalhados:

  1. Desenvolver o autoconhecimento: nesse processo a psicoterapia pode oferecer insights, ferramentas e estratégias para aprimorar a autoestima.
  2. Evitar comparações: cada indivíduo tem sua jornada e singularidade. Lembre-se: a comparação pode, muitas vezes, subtrair a alegria e a satisfação que temos com nossa própria história. 
  3. Valorizar-se através de hobbies e atividades: envolver-se em atividades que ressaltem as próprias habilidades e competências pode fortalecer sentimentos de valor e confiança. 
  4. Praticar autocompaixão: trate-se com a gentileza, o carinho e a paciência que você dedicaria a um amigo próximo.

A profissional lembra que a maneira como nos percebemos e como nos valorizamos tem profundas implicações em nossa saúde mental e bem-estar. “Trabalhar para construir e manter uma imagem corporal saudável e uma autoestima robusta é um processo contínuo. Isso pode incluir uma prática de autocompaixão, estabelecer limites nas redes sociais ou procurar apoio profissional quando necessário”, afirma. 

Ainda segunda Katícia, em todas as decisões estéticas, é fundamental que as motivações venham de um lugar de autocuidado e autoaceitação, em vez de pressões externas ou ideais inatingíveis. Izadora concorda: “Acredito que devemos fazer se sentimos vontade, os profissionais estão ali para isso. Mas sempre porque queremos e não pela opinião ou pressão alheia. Faça por você. Não pelo que os outros estão dizendo”. 

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