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Coletor menstrual pode prevenir infecções e ISTs; entenda

Estudos recentes mostram vantagens do coletor menstrual em relação aos absorventes tradicionais. Uso de preservativo ainda é essencial

Coletor menstrual pode prevenir infecções e ISTs; entenda
Coletor menstrual pode prevenir infecções e ISTs; entenda - Foto: Shutterstock

Não faz muito tempo que o coletor menstrual surgiu no mercado como uma alternativa aos já antigos absorventes. Além de se mostrar mais prático, higiênico e sustentável, este novo produto também demonstrou benefícios diversos para a saúde e bem-estar das mulheres.

Uma pesquisa nacional recente, por exemplo, comprovou os benefícios do uso do coletor menstrual à microbiota vaginal. Trata-se do estudo intitulado “O uso de copos menstruais está associado à manutenção da microbiota vaginal saudável: estudo longitudinal prospectivo”, publicado na Revista Placenta e Medicina Reprodutiva, vol 2.

Conclusões do estudo

A equipe de pesquisadoras brasileiras responsável pelo estudo acompanhou mulheres saudáveis ao longo de dois anos. O objetivo era investigar a relação entre o uso de coletor menstrual e a saúde da microbiota vaginal. 

Foi constatado que o uso contínuo do item não apenas não afetou negativamente a microbiota vaginal, mas também foi associado a uma manutenção mais saudável dessa comunidade microbiana. Além disso, as participantes relataram ainda maior conforto e liberdade durante o período menstrual, bem como uma redução na ocorrência de infecções vaginais. 

Diferenciais do coletor menstrual

O motivo dos resultados, segundo Mariana Betioli, obstetriz especialista em saúde íntima, se dá pelo uso do item deixar a vulva arejada e por conta do material dos coletores. “Por serem produzidos em silicone, um material inerte, os coletores não afetam o pH da vagina, mesmo em contato direto com o corpo. Além disso, diferente dos absorventes internos, os coletores não absorvem os lactobacilos e os fluidos naturais do corpo além do sangue. Assim, preserva a lubrificação da região e suas defesas naturais”, explica.  

Um outro estudo recente, realizado com jovens no Quênia, analisou o impacto do fornecimento dos coletores menstruais para alunas em idade menstrual em escolas da região. A pesquisa concluiu que alunas que utilizam coletores menstruais mostraram, além de um microbioma vaginal mais saudável, uma redução notável na incidência de vaginose bacteriana e uma menor incidência de infecções sexualmente transmissíveis em comparação com aquelas que usavam produtos convencionais. 

“O surgimento de infecções sexualmente transmissíveis e o equilíbrio da microbiota vaginal estão diretamente conectados”, conta Betioli, que também é CEO da Inciclo. “Uma vagina saudável tem bactérias boas e lactobacilos que a protegem e deixam mais resistentes a possíveis microrganismos que causam IST”, completa. 

Segundo a especialista, diversos motivos podem gerar uma disbiose na região. É o caso, por exemplo, de baixa imunidade, alterações hormonais, higienização inadequada e, principalmente, o uso de itens de absorventes descartáveis. “Quando se usa absorvente externo, a vulva fica abafada e em contato com o sangue. Isso favorece a proliferação de fungos e bactérias, que acabam desequilibrando a flora e aumentando o risco de infecção. E no caso dos absorventes internos o desequilíbrio da microbiota acontece pela alteração do pH vaginal”, explica. 

Vantagens

Muito além de sua contribuição para a microbiota vaginal, os coletores menstruais tem outras vantagens em relação aos métodos tradicionais de absorção de sangue menstrual, destaca Mariana. 

“Não apenas uma opção saudável e ecologicamente responsável, uma vez que são reutilizáveis. Os coletores ainda proporcionam maior conforto e liberdade durante o período menstrual, já que podem ficar até 12h dentro do corpo sem nenhum risco”, conta. “Com os estudos recentemente publicados, podemos comprovar ainda mais os benefícios do coletor menstrual também para prevenção de infecções”, celebra. 

Os coletores menstruais têm ainda a vantagem econômica em comparação aos itens descartáveis. Por terem uma vida útil de até 3 anos, o custo, segundo a especialista, é muito inferior ao dos absorventes descartáveis, o que torna, na visão dela, coletores menstruais uma solução acessível, sustentável e eficaz para promover a saúde íntima feminina também em comunidades com recursos limitados. 

Como escolher um coletor

Mariana ainda faz dois alertas: “Na hora de escolher o coletor menstrual, opte pelos que são feitos 100% em silicone medicinal hipoalergênico e sem corante. Produtos feitos com plástico, TPE, látex e com alguns corantes podem prejudicar a saúde íntima. Além disso, por mais que o uso de coletores diminua o risco de contrair uma infecção sexualmente transmissível, o uso de preservativo ainda assim se faz necessário”.

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