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Abuso de telas: veja técnicas para limitar o uso de eletrônicos por crianças

O abuso de telas é uma realidade entre crianças e adolescentes. Veja como família e escola podem aplicar estratégias para mitigar esse excesso

Abuso de telas: veja técnicas para limitar o uso de eletrônicos por crianças
Abuso de telas: veja técnicas para limitar o uso de eletrônicos por crianças - Foto: Shutterstock

Vivemos em um mundo repleto de telas – seja a do celular, computador, televisão, ou outros aparelhos eletrônicos; em casa, no trabalho, na rua ou no transporte público. Fato é que estamos imersos em uma era digital, o que pode ser bastante danoso para as pessoas ainda em desenvolvimento: as crianças.

Riscos do abuso de telas por crianças

Isso porque a saúde, tanto física quanto mental, tem impacto direto pelo uso excessivo de telas. Os efeitos podem ser profundos e variados. Dentre os principais, conforme a pedagoga e mestre em Educação pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Simone Santos, destacam-se:

  • Fadiga visual e postural: a síndrome da fadiga visual é uma preocupação comum, resultante do tempo prolongado olhando para telas. Além disso, má postura durante o uso de dispositivos pode levar a dores musculares e ósseas;
  • Distúrbios do sono: a exposição à luz azul emitida pelas telas pode interferir nos padrões de sono, impactando a qualidade do descanso noturno;
  • Dependência tecnológica: o uso excessivo de dispositivos pode levar à dependência tecnológica, ou seja, ao vício, com implicações negativas para o bem-estar físico e psicológico dos indivíduos.

Segundo a educadora, também é possível perceber os efeitos no ambiente escolar, com os seguintes sinais:

  • Distração e foco: o constante acesso a dispositivos pode levar a distrações, prejudicando a capacidade dos alunos de manter o foco durante as aulas;
  • Desafios na interatividade: a interação virtual, embora eficaz em muitos aspectos, não substitui completamente a riqueza da interação face a face, fundamental para o desenvolvimento social e emocional das pessoas;
  • Impacto no desempenho acadêmico: estudos sugerem que o uso excessivo de telas está correlacionado com o declínio no desempenho acadêmico, indicando a necessidade de equilibrar as estratégias digitais com métodos tradicionais de ensino.

Atenção necessária por parte dos pais

A psicanalista Dra. Andrea Ladislau comenta que os aparelhos eletrônicos, como celulares e tablets, tornaram-se um instrumento para acalmar e distrair as crianças para que os pais possam trabalhar, socializar ou descansar. A estratégia é legítima, mas é preciso ter atenção.

“A intensidade, frequência e duração do tempo de utilização da tecnologia por crianças e jovens são fatores de identificação dos excessos. A exposição ao celular em detrimento de brincadeiras lúdicas, ou mesmo do estudo e dedicação às tarefas escolares, pode levar a criança a se sentir incapaz de controlar ou de colocar um limite no tempo em que realiza a atividade”, alerta a profissional. 

Além disso, Andrea afirma que é comum o jogo ou celular passar a ser a prioridade da criança, acima dos interesses vitais, como comer, dormir, descansar, higienizar, socializar, dentre outras rotinas cotidianas.

“Pensando nas causas deste problema, ainda não temos uma causa específica e determinada, podendo ser um somatório de fatores. O fato de alguns responsáveis estarem ocupados demais com mil tarefas e sem tempo para orientar, brincar e interagir com o filho, é uma delas. Com isso, a criança ou o adolescente cresce interiorizando uma carência afetiva”, adverte a psicanalista.

Outras causas para o problema 

Andrea não culpa os pais, e lembra que existem outras causas para o abuso de telas por parte de crianças e adolescentes. O jovem pode, por exemplo, querer fugir da realidade, ou se desafiar a todo instante, no caso dos games.

Além disso, as causas podem envolver procrastinação, baixa autoestima, dificuldades de autocontrole, impulsividade, deficiência comunicativa, déficit do manejo emocional, timidez em excesso, ansiedade, prejuízos cognitivos, entre outros. “Porém, é uma porta de entrada para desenvolvimento do vício”, destaca. 

E, assim como todo tipo de vício, existe o fator recompensa cerebral. “Um mecanismo biológico que provoca motivações para permanecer no vício. Isso acontece porque o neurotransmissor dopamina é liberado, provocando prazer imediato, favorecendo a permanência na atividade”, explica Andrea.

Como afastar as crianças do abuso das telas

De acordo com a Dra. Andrea Ladislau, uma alternativa para lidar com o problema é substituir celulares e aparelhos tecnológicos por atenção, acolhimento e tempo de qualidade. Além disso, criar regras e não permitir o uso de celulares em escolas, limitando também o uso cotidiano. 

“Para as crianças menores de 5 anos, não estimular a tecnologia em nenhuma hipótese. Fornecer o lúdico e brincadeiras que propiciam interação com a família e outras crianças, é fundamental”, recomenda. 

No entanto, se a situação já estiver fora do controle, o mais indicado é buscar a ajuda de um profissional de saúde mental. Vale lembrar que tanto a escola quanto a família podem trabalhar juntos para a eficácia desse processo. 

Pensando no contexto educacional, Simone lembra que, além de conscientizar pais e responsáveis, as escolas precisam tomar atitudes a fim de mitigar os danos do uso excessivo de telas. A mestre em educação indica, por exemplo: 

  • Estabelecer limites: definir limites de tempo para o uso de telas, incentivando pausas regulares para minimizar a fadiga visual e postural;
  • Fomentar a diversidade de atividades: integrar métodos de ensino variados, combinando recursos digitais com atividades práticas e interativas;
  • Educação sobre saúde digital: promover a conscientização sobre práticas saudáveis de uso de tecnologia entre estudantes, professores e pais.

O papel da família

Além disso, Simone destaca que dedicar momentos para atividades familiares sem telas, como passeios ao ar livre, refeições em família sem a presença de dispositivos eletrônicos e noites de jogos, reforça os laços familiares e demonstra, na prática, alternativas de lazer e aprendizado fora do ambiente digital. 

“Ao adotarem essas práticas, os pais não apenas contribuem para diminuir a dependência das telas, mas também enriquecem a experiência de vida de seus filhos com experiências mais diversificadas e enriquecedoras”, diz a profissional.

Equilíbrio é a chave

Para Simone, o uso excessivo de telas é uma realidade que exige uma abordagem equilibrada. Portanto, enquanto as tecnologias digitais oferecem oportunidades inestimáveis, é vital reconhecer e mitigar os desafios que surgem quando o equilíbrio é perdido. 

“Ao adotar estratégias conscientes e promover uma cultura de uso saudável de telas, podemos garantir que a tecnologia continue a ser uma ferramenta valiosa na educação, sem comprometer a saúde e o bem-estar de crianças, adolescentes e até mesmo dos adultos”, finaliza a especialista.

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