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Cirurgia retira metade do cérebro: quando ela é indicada e quais os efeitos?

A hemisferectomia é uma opção de tratamento para epilepsia e síndromes raras, e prevê a retirada de uma parte do cérebro

Cirurgia retira metade do cérebro: quando ela é indicada e quais os efeitos?
Cirurgia retira metade do cérebro: quando ela é indicada e quais os efeitos? - Foto: Shutterstock

Você já ouviu falar em hemisferectomia? Trata-se de uma cirurgia técnica cirúrgica bastante complexa, que remove parte do cérebro a fim de evitar danos de síndromes raras. O paciente fica com sequelas após o procedimento, mas menos limitantes em comparação com as deixadas pela doença em tratamento.

”Antigamente, a hemisferectomia removia quase completamente um dos lados do cérebro. Atualmente, ela consiste de realizar uma abertura ampla de um dos lados do crânio, para ter uma visão bastante extensa do órgão. Na abertura, o neurocirurgião poderá iniciar a desconexão de diversas partes que estão mal funcionantes daquelas que funcionam adequadamente”, explica o neurocirurgião Dr. Cesar Cimonari. 

Segundo ele, algumas áreas menores serão ainda removidas, enquanto outras serão apenas separadas umas das outras através de cortes em locais específicos, como o corpo caloso, por exemplo. O médico lembra ainda que o cérebro funciona através da ligação das suas várias áreas por conexões entre os núcleos dos neurônios – que funcionam como cabos elétricos. Por isso, ao cortar essas conexões, a hemisferectomia tem efeito.

A cirurgia pode lembrar bastante a lobotomia, que era feita para casos psiquiátricos no início do século XX. Afinal, os procedimentos compartilham essa ideia de desconectar áreas do cérebro. No entanto, eles são bastante distintos, destaca o Dr. Cesar Cimonari. “Inclusive a própria hemisferectomia passou por avanços importantes ao longo das décadas, preservando uma parte maior do cérebro atualmente”, afirma.

Casos que precisam da cirurgia

Conforme o neurocirurgião, a indicação da hemisferectomia se restringe a poucos casos por ser um procedimento muito agressivo e complexo. Os casos em que é mais usada são síndromes epilépticas raras, mais comum em crianças, às vezes desde o nascimento.

A condição causa uma inflamação em uma área grande de um dos lados do cérebro. Ou ainda uma disfunção que acaba gerando crises convulsivas quase ininterruptamente, como se fosse um curto circuito. Segundo o médico, a doença que mais comumente necessita dessa cirurgia é a síndrome de Rasmussen.

Sequelas para o paciente

“Como esse “curto circuito” tende a se espalhar pelas conexões de todo o cérebro, a criança com a síndrome tende a não ter um desenvolvimento adequado, e pode começar inclusive a regredir nos ganhos de fala, raciocínio, mobilidade e força caso consiga adquiri-las. Por este motivo, desconectar o lado que tem o problema é essencial para controlar as crises convulsivas e permitir que a parte normal possa se desenvolver”, detalha Cesar. 

Apesar disso, o neurocirurgião lembra que a cirurgia é bastante agressiva, e pode causar sequelas importantes. Em especial nos primeiros anos, envolvendo principalmente uma paralisia do outro lado do cérebro e algum grau de transtorno cognitivo e de fala. 

“Mas no longo prazo, como o cérebro inteiro seria progressivamente prejudicado, o resultado é melhor que o da doença. Além disso, uma vez que crianças, que são a grande maioria dos casos, apresentam uma fase de plasticidade cerebral bastante intensa, a recuperação pode ser impressionante. Isto é, com o lado saudável do cérebro assumindo funções que normalmente seriam do outro lado”, afirma.

Outras opções de tratamento

Há outras alternativas para tratar condições que envolvem a retirada de parte do cérebro. Para a síndrome de Rasmussen, por exemplo, o acompanhamento é multidisciplinar e deve envolver neurologista e neuropediatra, além da equipe de reabilitação, com fonoaudiologia, fisioterapia e psicologia no mínimo. 

Em todos os quadros de epilepsia e convulsões, o tratamento inicial sempre envolve a tentativa do uso de uma ou várias medicações anticonvulsivantes. No entanto, nesses casos da síndrome raramente o controle será suficiente. 

Em outras doenças que causam epilepsia, como por exemplo as displasias corticais cerebrais, é possível tentar identificar a área exata do cérebro que causa o “curto circuito” e remover apenas aquela pequena parte, explica o neurocirurgião. 

“Em outras doenças, quando não há uma causa clara, mantemos as medicações, algumas orientações de dieta como a cetogênica podem ser úteis em casos selecionados. E, em casos mais difíceis de controlar, o uso de cirurgias de modulação pode ser uma opção”, afirma.

Atenção com a epilepsia

Infelizmente uma boa parte das pessoas – crianças e adultos – que sofrem de epilepsia acabam demorando a chegar num diagnóstico e tratamento adequado, informa o Dr. Cesar Cimonari.

“Como essas técnicas cirúrgicas como a hemisferectomia, a remoção de displasias e mesmo o estimulador do nervo vago não são feitas em todos os lugares, alguns pacientes e mesmo médicos acabam nem sabendo da possibilidade. Uma parcela pequena dos pacientes que teriam benefício com a cirurgia acabam chegando no tratamento”, diz.

Por isso, conforme o neurocirurgião, é importante essa divulgação e conscientização para pacientes, família,  médicos generalistas e neurologistas. “Para o tratamento da epilepsia, em especial as de difícil controle, o trabalho em equipe é fundamental. Hoje, após a falha de 2 ou mais medicações anticonvulsivantes bem utilizados, já a indicação de investigar mais a fundo e incluir também uma avaliação com um neurocirurgião especializado para checar se há benefícios em fazer alguma cirurgia”, conclui.

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