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Dia Nacional da Tontura: entenda porquê é preciso levá-la a sério

A tontura é sintoma para mais de 60 doenças, e por isso exige diagnóstico preciso. Saiba o que pode causar o efeito colateral

Dia Nacional da Tontura: entenda porquê é preciso levá-la a sério
Dia Nacional da Tontura: entenda porquê é preciso levá-la a sério - Foto: Shutterstock

O Dia Nacional da Tontura (22/04) é uma campanha da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cérvico-Facial (ABORL-CCF) que completa 10 anos em 2023. O objetivo é destacar a seriedade do sintoma. Afinal, tontura não é uma doença, mas um sintoma presente em mais de 60 enfermidades. 

Ela está entre as três queixas mais comuns em consultas em um ambulatório geral, perdendo apenas para a dor e a fadiga, segundo informações da ABORL-CCF. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a tontura afeta entre 15 e 20% da população global.

Tontura é coisa séria

O médico otorrinolaringologista do Departamento de Otoneurologia da ABORL-CCF e coordenador da campanha, Dr. César Bertoldo, destaca que a ação tem o objetivo de conscientizar as pessoas que sofrem com tontura sobre a importância de buscar atendimento médico. 

O especialista também chama a atenção da população para não negligenciar o sintoma, que se caracteriza por sensações de desequilíbrio, parecer que se está flutuando ou sentir o ambiente ao redor girando, por exemplo. 

“Desvendar a queixa de tontura nem sempre é fácil. Essa avaliação é necessária para determinar qual é o principal responsável pela crise ou pelo sintoma atual que o paciente enfrenta. Muita gente tem a percepção errada de que a tontura é sempre uma labirintite, pois desconhecem que há dezenas de outras doenças. É por isso que o médico deve ser consultado, por ser o profissional com a competência para pedir exames adequados, descobrir qual é a enfermidade e prescrever o tratamento correto”, enfatiza César. 

Causas

Diversas alterações de saúde podem gerar sintomas de tontura. Aliás, diversas medicações têm esse possível efeito colateral. Mas entre as causas principais estão problemas emocionais e doenças de origem metabólica ou hormonal, neurológicas, cardiológicas e labirínticas, ou seja, que afetam a estrutura interna do ouvido, muito relacionada à manutenção do equilíbrio corporal.

A ABORL-CCF alerta para a importância de não menosprezar a tontura, pois esse problema traz limitações. Quem sofre com o sintoma pode desenvolver, por exemplo, medo e insegurança do movimento, pois a tontura leva à instabilidade do corpo. Isso aumenta o risco de queda e de fraturas, um problema grave entre os idosos. 

De acordo com o Departamento de Otoneurologia da ABORL-CCF, estudos brasileiros indicam que 45% dos idosos convivem com a tontura. Além disso, a alteração no equilíbrio corresponde a 85% das causas de quedas de pessoas com 65 anos ou mais. 

Além de prejuízos psicológicos, as pessoas que sofrem com tontura ainda têm sua qualidade de vida impactadas no âmbito social e de trabalho, pois convivem com episódios de mal-estar físico e a redução da concentração e atenção. “Elas também podem sofrer consequências em longo prazo, caso uma condição de saúde existente que pode estar causando sua tontura receba tratamento”, reforça Dr. César. 

Algumas causas da tontura necessitam de tratamento medicamentoso ou hospitalar imediato e podem ser de difícil diagnóstico. É o caso do acidente vascular cerebral (AVC), doenças inflamatórias do cérebro, tumores, hemorragias, carências nutricionais e diferentes tipos de câncer. 

Diagnóstico e tratamento

A detecção da causa da tontura dependerá do entendimento dos sintomas. Por isso, é necessária uma avaliação minuciosa da história clínica do paciente. Em algumas situações, é necessária a realização de exames de sangue, de imagem e testes vestibulares (do labirinto) e auditivos, entre outros recursos. 

“Cada caso tem a sua particularidade, por isso o tratamento é feito pelo médico após o diagnóstico e deve ser individualizado, podendo incluir medicações, mudanças comportamentais, tratamentos de reabilitação e manobras específicas. Generalizar tratamentos não é indicado e pode trazer riscos como efeitos colaterais, complicações ou agravamento do quadro”, finaliza o especialista. 

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