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Perder urina não é normal, alerta Sociedade Brasileira de Urologia

A SBU criou a campanha campanha Saia do Molhado, enfatizando a importância de se procurar tratamento para a incontinência urinária

Perder urina não é normal, alerta Sociedade Brasileira de Urologia
Perder urina não é normal, alerta Sociedade Brasileira de Urologia - Foto: Shutterstock

Escapes de urina, mesmo em pequenas quantidades, durante o dia ou à noite, podem ser indícios de incontinência urinária. A condição também tem como característica perda de urina ao rir, tossir e fazer esforços, além de vontade súbita de urinar, muitas vezes não dando tempo de a pessoa chegar ao banheiro.

No próximo dia 14 celebra-se o Dia Mundial da Incontinência Urinária (14/03). Por isso, a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) aproveita o mês de março para realizar mais uma edição da campanha Saia do Molhado, enfatizando a importância de se procurar tratamento para essa condição. Além disso, a campanha estimula o uso de fraldas e absorventes como ações paliativas. 

Estima-se que a incontinência urinária atinja cerca de 45% das mulheres e 15% dos homens acima de 40 anos. Apesar de muitas pessoas acreditarem ser comum a perda de urina na gravidez e na terceira idade, o problema também deve ser tratado nesses casos.

“A incontinência urinária não deve ser negligenciada, tampouco normalizada. Muitos pacientes sofrem calados, afastando-se de compromissos familiares e sociais com medo dos escapes de urina. Com o objetivo de reverberar esse alerta, a SBU realiza a campanha Saia do Molhado, encorajando os pacientes que sofrem com esse problema a procurarem um urologista para avaliação e tratamento adequado”, destaca o Dr. Luiz Otavio Torres, presidente da SBU.

Tipos de incontinência

A incontinência urinária geralmente se divide em três principais categorias:

  • Incontinência urinária por esforço: caracteriza-se pela perda urinária ao fazer esforços como tossir, rir, espirrar, exercitar-se ou carregar peso. É o tipo mais comum, sendo causada pela incapacidade de o esfíncter manter a uretra fechada durante o aumento da pressão abdominal e corresponde a cerca de 40 a 70% dos casos de incontinência urinária em mulheres;
  • Incontinência urinária de urgência: é identificada pela vontade súbita e incontrolável de urinar. À noite, pode interferir na qualidade do sono, pois a pessoa precisa se levantar várias vezes ao longo da noite para ir ao banheiro. É também chamada de bexiga hiperativa;
  • Incontinência mista; associa os dois tipos de incontinência.

“Infelizmente, um porcentual significativo das pessoas que padecem dessa condição acaba tendo que conviver com o problema por longos períodos. Enquanto isso, a alternativa costuma ser o uso de fraldas e absorventes”, analisa Dra. Karin Jaeger Anzolch, diretora de Comunicação da SBU e uma das coordenadoras da campanha.

Para Karin, uma questão que ainda é necessária evoluir é o acesso aos tratamentos para a incontinência urinária. Há um projeto de lei (PL 5922/2013) em tramitação na Câmara dos Deputados que obrigaria o SUS e os planos de saúde a custear os tratamentos, mas que segue para aprovação. 

Fatores de risco

Entre os fatores que podem influenciar no surgimento da incontinência destacam-se:

  • Idade;
  • Sexo;
  • Histórico familiar;
  • Gestação;
  • Múltiplas gestações;
  • Tabagismo;
  • Diabetes;
  • Sobrepeso e obesidade;
  • Exercícios de alto impacto (quando a pessoa já tem queixa de perda de urina);
  • Doenças neurológicas como Parkinson e esclerose múltipla;
  • Cirurgias pélvicas e na próstata (principalmente para tratamento do câncer).

Incontinência de urina na gestação

Durante a gravidez é comum as gestantes se queixarem de escapes de urina (especialmente no terceiro trimestre). Isso acontece devido a questões como alterações hormonais, relaxamento dos músculos do assoalho pélvico, crescimento do útero e consequente compressão da bexiga. 

Para as futuras mamães, a fisioterapia pélvica é a melhor aliada, acompanhada de mudanças de hábitos (controle do peso, tratamento da constipação, evitar alimentos que irritam a bexiga, como derivados de cafeína, apimentados e frutas cítricas).

O caso da terceira idade

Já na terceira idade, a perda de urina está relacionada ao enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, diminuição da capacidade de armazenamento da bexiga, aumento da próstata (no caso dos homens), problemas neurológicos, doenças metabólicas como o diabetes, ingestão de certos medicamentos etc.

Reflexos da incontinência no dia a dia

Quando não tratada, a perda involuntária de urina pode causar transtornos tanto na vida pessoal quanto profissional. Muitas pessoas passam a evitar o convívio social e até mesmo relações íntimas com receio dos escapes de urina.

“Algumas pessoas acham que perder urina seja algo inevitável e normal com o passar da idade. Há, ainda, quem conviva com o problema por vergonha, constrangimento ou por falta de conhecimento sobre as alternativas de tratamento”, comenta Karin 

Entretanto, o impacto dessa condição costuma ser bastante grande na vida da pessoa. Isto é, desde os custos relacionados ao uso de absorventes e vestes especiais, até o de medicamentos e tratamentos.

“Além disso, há tendência à limitação do convívio social e íntimo, à redução da prática desportiva e ao lazer, sem falar nas consequências psicológicas, como ansiedade, insegurança e até depressão”, lembra a Dra. Karin.

Tratamento

A incontinência urinária é uma condição que pode afetar pessoas de todas as idades, embora seja mais comum em mulheres e idosos. E, de acordo com o Dr. Roni de Carvalho Fernandes, diretor da Escola Superior de Urologia, as opções de tratamento variam de acordo com o tipo e gravidade da condição.

Entre as opções de tratamento estão:

  • Mudança de hábitos (controlar a ingestão de líquido durante o dia, urinar periodicamente, não fumar, evitar o consumo de produtos à base de cafeína, tratar a prisão de ventre, abandonar o sedentarismo etc.);
  • Medicamentos (principalmente para casos de bexiga hiperativa);
  • Exercícios para o assoalho pélvico (exercícios de Kegel: visam fortalecer os músculos do assoalho pélvico, ajudando a melhorar o controle da bexiga);
  • Dispositivos médicos (para controle da bexiga como marca-passo implantado nas raízes nervosas, utilização de sondas de forma intermitente ou dispositivos de suporte uretral);
  • Estimulação elétrica (envolve o uso de corrente elétrica para estimular os músculos do assoalho pélvico, ajudando a melhorar o controle da bexiga);
  • Toxina botulínica na bexiga (para casos em que os medicamentos e a fisioterapia não surtiram efeito);
  • Cirurgia (em casos graves e persistentes de incontinência urinária, pode ser uma opção para corrigir problemas anatômicos, como o prolapso de órgãos pélvicos ou a incontinência de esforço; como opções há sling, neuromodulação sacral e esfíncter artificial).

É possível prevenir a incontinência urinária?

Além dos tratamentos, há também que se focar na prevenção, destaca Karin. Afinal, esta é a medida mais barata e certamente muito importante para uma série de doenças. “Muitos casos de incontinência poderiam ser prevenidos ou minimizados com algumas medidas relativamente simples, como, por exemplo, o controle do peso e do diabetes durante a gestação e ao longo da vida”, aponta a médica.

A especialista cita ainda a importância do combate ao sedentarismo e de adotar um estilo de vida saudável. A assistência e preparo adequado na gestação e parto, o diagnóstico precoce das doenças da próstata, o controle da hipertensão arterial e prevenção do AVC e dos acidentes e traumatismos cranianos e raquimedulares também são importantes.

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