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Problemas oculares em crianças: quais os pontos para ficar alerta?

Os problemas oculares podem surgir ainda com poucos meses de vida. Pais também devem se atentar ao desconforto com óculos

Problemas oculares em crianças: quais os pontos para ficar alerta?
Problemas oculares em crianças: quais os pontos para ficar alerta? - Foto: Shutterstock

Assim que nascem, os bebês precisam passar por exames diagnósticos importantes, como os testes da orelhinha, pezinho e olhinho. O último, aliás, avalia a percepção do reflexo vermelho nos olhos do recém-nascido. Com isso, ele é capaz de identificar diversos problemas oculares graves, como a catarata congênita e o retinoblastoma, um tipo raro de câncer ocular. 

No entanto, o teste não verifica um possível erro refrativo, como miopia, astigmatismo ou hipermetropia, que pode acontecer antes mesmo da criança completar um ano. Consequentemente, a condição acaba sendo detectada já na idade escolar, quando o pequeno começa a demonstrar dificuldades de aprendizado e concentração.

Cuidado com os olhos desde cedo

Segundo especialistas, a primeira consulta das crianças ao oftalmologista não deve demorar a acontecer. Isso porque, mesmo com alguns meses de vida, já pode ser necessário o uso de óculos em bebês com alto grau de miopia ou hipermetropia, por exemplo. 

“O que recomendamos é que toda criança visite o oftalmologista anualmente. A primeira visita deve acontecer em torno dos seis meses de vida do bebê – a não ser que tenha havido algum problema na gestação. Aos pais de prematuros, por exemplo, orientamos que haja uma avaliação complementar logo após o nascimento”, afirma a Dra. Cristina Cagliari, oftalmologista e consultora da healthtech Lenscope.

Nos primeiros anos de vida, é difícil para os pais avaliarem se a criança tem ou não algum problema de visão. De qualquer forma, há alguns sinais que podem aparecer, aponta a especialista. São eles:

  • Estrabismo: olhinhos desviados;
  • Quedas: se a criança costuma cair muito ou chocar com objetos ou obstáculos em casa;
  • Se aproximar muito de telas e objetos para enxergar, também pode ser um sinal de alerta.

Além disso, há o retinoblastoma – uma doença ocular muito grave, que também pode acometer crianças e que, muitas vezes, passa despercebido pelos pais, destaca a médica. “A dica nesse caso, além da consulta ao oftalmologista obviamente, é observar se há algo diferente, como possíveis reflexos amarelados nos olhos das crianças em fotos, que pode ser um sinal. Caso os pais detectem algo do tipo, devem procurar ajuda o mais rapidamente possível”, recomenda. 

Algo que nem todo mundo sabe é que, se a criança possui, por exemplo, um alto grau de miopia ou hipermetropia e a visão não é corrigida a tempo, seu cérebro não será exposto a uma experiência visual plena, com imagens nítidas. 

O perigo das telas e os problemas oculares

A oftalmologista explica que excesso do uso de telas pode ser prejudicial não somente às crianças, mas para todos nós. Isso porque o hábito pode levar a complicações:

Do ciclo circadiano: o ritmo em que o organismo realiza suas funções biológicas ao longo de um dia pode ser alterado devido a estímulos exagerados, principalmente à noite — que pode levar a problemas como insônia, atuando em mudanças hormonais, sistêmicas e fisiológicas importantes do indivíduo. Em especial, das crianças que ainda estão em desenvolvimento;

Olho seco: ao prestarmos atenção nas telas (computador, televisão etc.) piscamos menos, e a lágrima evapora mais rápido do que deveria. Por consequência disso, há menos lubrificação ocular, o que aumenta o risco de infecções, como a conjuntivite. A própria lágrima também é importante aliada da refração, que é, basicamente, o poder visual dos olhos.

Excesso de acomodação ocular: quando enxergamos algo muito próximo, contraímos a musculatura dos olhos, o que exige um esforço maior, causando mais cansaço. Já, quando olhamos longe, alongamos essa musculatura, com menos cansaço. O ideal é que haja um equilíbrio desses dois pontos.

“A dica que costumo dar a meus pacientes é manter uma distância adequada das telas e dar alguns intervalos. Por exemplo: a cada 30 minutos de tela, ficar 5 minutos olhando para algo que esteja mais distante. Isso pode ajudar nesse excesso de cansaço mencionado anteriormente”, recomenda.

Uso do óculos na infância

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), aproximadamente 23 milhões de crianças são portadoras de miopia, astigmatismo e hipermetropia, somente na América Latina. Já, no Brasil, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) estima que 30% do público infantil em idade escolar tenha problemas refrativos — sendo mais comum a miopia — e 10% das crianças, entre sete e dez anos, precisam usar óculos. 

Também é importante estar atento ao material utilizado no acessório. Hoje, graças ao avanço da tecnologia, já é possível encontrar itens cada vez mais anatômicos e que atendam às particularidades do usuário. No caso das crianças, recomenda-se, por exemplo, o uso de lentes de resina, mais resistentes que as de vidro ou cristal, que são relativamente comuns para adultos que têm alto grau. 

É importante observar ainda se há alguma queixa e, principalmente, qualquer mudança comportamental da criança — que ainda não sabe explicar exatamente o que sente ou como é ter dificuldade em enxergar com precisão. Isso porque seu sistema visual cresce e se desenvolve junto com ela, em especial entre os primeiros cinco e seis anos de vida, quando os óculos podem desempenhar um papel importante para garantir o desenvolvimento normal da visão.

Problemas oculares na infância e bullying

Infelizmente, ainda é muito comum que as crianças que usam óculos sofram bullying dos colegas, que criam apelidos e acabam tornando qualquer possível desconforto com o acessório novo um incômodo ainda maior. 

A situação é tão comum que apareceu de forma expressiva entre os resultados de um estudo sobre bullying, realizado por pesquisadores da Universidade de Bristol, na Inglaterra. Entre os achados, descobriu-se por exemplo que crianças pré-adolescentes que usam óculos têm mais de um terço de probabilidade de sofrer a prática do que crianças que não usam óculos. Os resultados mostraram ainda que, das crianças que usavam óculos, de 35% a 37% eram mais propensas a serem alvos de bullying.

Como acostumar os pequenos ao uso de óculos

Ainda que haja outros coleguinhas na escola que também usem óculos, a criança pode se sentir desconfortável, principalmente nos primeiros dias da novidade. Para isso, há dicas que podem ajudar os pais a motivá-la.

“Antes de tudo, é essencial que os próprios cuidadores reconheçam os benefícios do uso dos óculos corretivos, que proporcionarão melhor percepção visual e auxiliarão no desenvolvimento global das crianças ”, explica Makoto Ikegame, CEO da Lenscope.

Cristina afirma que a forma ideal de lidar com essa situação é promover uma conscientização nas escolas e, principalmente, em casa. O objetivo é deixar o pequeno mais seguro com o uso do novo item. “É importante orientar sobre o fato de que os óculos irão ajudá-la a enxergar melhor, estimulando o uso frequente a fim de que haja uma adaptação mais favorável possível para ela”, destaca.

Makoto  lista algumas dicas que podem ajudar os pais nesse momento:

  • Dar exemplo de outras pessoas que as crianças conhecem e gostam, e que usem óculos;
  • Estimular o pequeno e o envolver no processo de adaptação de forma positiva;
  • Explicar à criança o quanto é importante que ela utilize os óculos do jeito correto, para poder enxergar tudo o que gosta da melhor forma, a inserindo como participante dos Levá-la para escolher o item ou, ainda, apresentar os óculos a ela de forma divertida.

“É fundamental se manter presente na rotina da criança, a fim de acompanhar sua adaptação física e psicológica aos óculos. Um ponto importante também é a escolha correta das lentes dos óculos dos pequenos. Isso porque as lentes de resina modernas, além de mais resistentes, mitigam efeitos comuns e indesejados, como o conhecido ‘fundo de garrafa’, principalmente nos óculos daqueles com alto grau de ametropias, trazendo mais conforto, qualidade de vida e leveza”, finaliza o executivo.

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