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Endometriose pode ser causada por bactérias, revela estudo

Ainda não se tem uma causa estabelecida para a endometriose, mas a infecção por bactérias pode estar envolvida no surgimento da doença

Endometriose pode ser causada por bactérias, revela estudo
Endometriose pode ser causada por bactérias, revela estudo - Foto: Shutterstock

A endometriose se caracteriza pela saída do endométrio, tecido que reveste o interior do útero, durante a menstruação, para a cavidade abdominal ao invés de seguir pelo canal vaginal. A condição causa dor persistente no período menstrual, que tende a aumentar progressivamente com o passar dos meses. Ela afeta uma a cada dez mulheres com idades entre 25 e 35 anos no Brasil. Além disso, é uma das principais causas de infertilidade feminina no país.

Ainda não há uma definição exata para as causas da doença. No entanto, um estudo recém-publicado no periódico Science Translational Medicine aponta que a infecção provocada por um tipo particular de bactérias (Fusobacterium) pode estar relacionada ao desenvolvimento da endometriose. 

O estudo

O grupo formado por pesquisadores de diversas instituições japonesas, entre elas a Universidade de Nagoya e o Centro Nacional de Câncer do Japão, analisou o endométrio de mulheres que sofriam com a doença e de outras que não sofriam com a endometriose. Aquelas com a doença apresentaram amostras positivas da bactéria do gênero Fusobacterium de forma mais prevalente do que o grupo sem endometriose.

“Ainda são necessários novos estudos antes que os achados possam ser aplicados no tratamento da endometriose. Porém, é importante ressaltar que esse resultado joga luz sobre a participação desse microbioma no desenvolvimento da endometriose”, esclarece Claudio Crispi Jr, chefe do serviço de Ginecologia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP-RJ).

Endometriose

Claudio lembra que a endometriose é uma doença multifatorial. Isto é, tem envolvimento de fatores hormonais, imunológicos, genéticos, inflamatórios e ambientais envolvidos. Por isso, não é possível determinar uma causa exata para a doença – ao menos até o momento.

Além disso, segundo o médico, a endometriose se manifesta de formas completamente diferentes em cada paciente. Isso tanto do ponto de vista de extensão/agressividade, quanto do ponto de vista da sintomatologia. “Este estudo do grupo japonês nos faz pensar se poderíamos também incluir uma possível causa infecciosa nos fatores relacionados à doença”, analisa o especialista.

Em cerca de 80% a 90% das mulheres que apresentam a condição, o quadro de endometriose caracteriza-se por dor exacerbada, como fortes cólicas menstruais e dores nas relações sexuais, dores para evacuar e urinar principalmente no período menstrual e, não raro, dor pélvica crônica permanente. “Tudo isso leva a uma condição péssima da qualidade de vida”, afirma Crispi Jr.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico precoce da endometriose, de acordo com o médico, ocorre a partir deste quadro de dor intensa. “Caso a mulher tenha cólicas menstruais e alguma outra manifestação dolorosa com as citadas anteriormente, podemos ter uma forte suspeita da endometriose. O médico deverá, então, orientar a paciente para controlar e investigar o problema, muitas vezes com o uso de contraceptivos hormonais”, explica o profissional. 

Conforme o médico, o anticoncepcional bloqueia a função do ovário e diminui a chance desse crescimento do tecido do endométrio. Isso reduz a inflamação causada pela doença. “Consequentemente, é possível uma melhora do quadro doloroso”, afirma.

De acordo com o ginecologista, atualmente, a cirurgia é a única opção de tratamento para remover a doença e apresenta resultados excelentes para conter o quadro doloroso, principalmente quando a condição não responde aos tratamentos clínicos.

Além disso, o tratamento cirúrgico pode ser uma forma de resolver a questão da infertilidade, que pode ser uma consequência da doença, especialmente em mulheres com menos de 35 anos, já que remove os focos visíveis da endometriose. 

“A melhora na qualidade de vida e da redução da dor é de 80 a 88% após o procedimento cirúrgico e na ordem de 50 a 80% para o fator infertilidade. A cirurgia normalmente é feita pela técnica videolaparoscópica, na qual não é preciso abrir o abdômen”, informa Crispi.

Ele frisa que caso a relação entre a presença de bactérias e o desenvolvimento da doença seja estabelecido e comprovado por meio de novos estudos, será possível buscar outras formas de tratamento.

“Principalmente nos casos refratários aos tratamentos convencionais e ao arsenal terapêutico disponível atualmente. Seria no mínimo interessante pensarmos na possibilidade de usarmos antibióticos como uma das armas contra a dor causada pela doença”, afirma o especialista. 

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